19/02/2007
18/02/2007
A minha outra vida há 500 anos atrás

15/02/2007
Elisete: Um novo mundo de intercepção musical entre Israel e Brasil
Fiquei muito contente por ser contactado pela Elisete para escrever um artigo sobre a sua música porque adoro o ritmo doce, dançante e alegre da música brasileira e porque a Elisete se propõe fazer algo de realmente inovador, um cruzamento cultural entre Brasil e Israel. Foi com este pensamento que fui experimentando, avidamente, os três CDs que, gentilmente, a Elisete me enviou pelo correio desde Israel. Às vezes a ideia que temos de algo na nossa cabeça difere muito da realidade efectiva das coisas mas este não foi o caso. Aliás, quando o CD Luar e Café começou a tocar, foi como se as minhas ideias prévias se materializassem em realidade ou, mais concretamente, em som. Uma voz feminina suave profere a palavra mágica “Capoeira” e não há mais o que enganar, estamos na terra do berimbau, em Salvador da Bahia, nas raízes de Elisete. Depois, algo que não estamos habituados acontece: a mesma voz baiana que nos fala de capoeira começa a cantar um conjunto de sons em hebraico que nos colocam num lugar novo, por explorar, um lugar onde Israel e Brasil se misturam e se interceptam; é o mundo de Elisete e o mundo que ela nos quer levar a conhecer. Neste universo, o mistério do oriente surge-nos transfigurado pelo ritmo brasileiro. Palavras como Israel, Jerusalem, Palestina, Hebreu, Faixa de Gaza, Judeísmo, Judeus e outras deambulam na mente lado a lado com Brasil, alegria, pandeiro, capoeira, berimbau, Salvador, calor. Embarcamos na viagem e não nos sentimos mais confusos mas antes num lugar confortável e prazeroso.
Para quem não entende hebraico (como é o meu caso) começa a surgir uma pergunta que não quer calar: como será que os israelitas acolhem este ousado projecto, esta ousada música, intromissão do ritmo e da alegria brasileira no mundo da língua hebraica, símbolo da cultura judaica? A resposta a esta questão está na forma acolhedora como a crítica israelita e internacional se refere à música de Elisete. Naturalmente, o povo de Israel como muitos outros povos (talvez mais Israel até do que muitos outros) precisam de alegria num mundo onde, cada vez mais, a tragédia se difunde incansavelmente através dos meios de comunicação ou exposições de fotografia jornalística por esse mundo fora (basta olhar para o lote de fotografias premiadas no World Press Photo, por exemplo). Nesse âmbito, talvez o maior valor que o povo brasileiro tem para exportar é, precisamente, a sua capacidade de alegrar a vida dos outros povos, reduzindo os dolorosos efeitos das tragédias com que o mundo é bombardeado. A alegria e o calor (incluindo, bem-entendido, o calor humano) não são marcas registadas do Brasil em nenhuma Instituição do Mundo mas nem precisam de ser. É com estes bens preciosos e muitas vezes desvalorizados que Elisete ilumina o povo de Israel servindo-se do seu conhecimento da linguagem hebraica e portuguesa e, simultâneamente, do ritmo da sua música e da sua bela voz em músicas de títulos tão sugestivos como Shalom Dikaon (em português, Adeus Depressão) do seu segundo álbum Gaagua (Saudade). Os israelitas disfrutam assim de uma viagem de qualidade, em hebraico e português de doce sotaque brasileiro, através da bossa nova, do soul brasileiro, do samba, da capoeira e até forró. No album Elisete – Remixes, álbum de colaboração com DJs israelitas, fica também bem patente a forma como várias músicas de Elisete se colam bem a ritmos mais electrónicos e mais ousados para consumo nocturno em discoteca.
Parabéns Elisete, por transmitir a essa região, da qual tanto ouvimos falar de tragédias, guerras e rancores, algumas sensações mágicas e preciosas como, por exemplo, o “samba do sofrer” que incita a saber sofrer à brasileiro, ou seja, sambando pela vida!
14/02/2007
Fotografia de telescópio mostra como o sol morrerá
Extracto do site Terra:"O telescópio espacial Hubble, da Nasa, tirou uma fotografia dos últimos instantes de uma estrela que está morrendo. Segundo os cientistas, a imagem da nebulosa NGC 2440 mostra o que irá acontecer com o Sol daqui a cerca de 5 bilhões de anos. A morte da estrela é antecedida por uma explosão multicolorida [ver foto acima].A estrela fotografada pelo Hubble é muito semelhante ao Sol, disseram os cientistas da Nasa. A NGC 2440 está a uma distância de cerca de 4 mil anos luz da Terra. Com a explosão, a estrela espalha várias camadas de gás que se tornam brilhantes diante de sua luz ultravioleta.
Após a explosão, a estrela se transforma em um astro bem menor, branco, onde a temperatura na superfície ultrapassa os 200.000°C."
Felizmente, o Sol ainda vai continuar vivo e a brilhar por 5 biliões de anos! Aqui está ele, tal com é visto pelos telescópios da Nasa, o mesmo que brilha nas ondas do mar, que nos aquece e que nos proporciona aquela maravilhosa visão do pôr-do-sol:
11/02/2007
Citações dos principais jornais e outros meios de comunicação mundiais sobre o referendo à IVG em Portugal
"Prime Minister Jose Socrates has said abortion will be legalised in Portugal despite the turnout for a referendum being too low to be legally binding."
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6350651.stm
Le Figaro (França) - Au Portugal, l'avortement sera légalisé
"C'est une avancée majeure que le Portugal vient de réaliser sur le plan des libertés indivduelles. Entre 57 et 61% des électeurs ont voté en faveur de la dépénalisation de l'avortement, selon divers sondages sortie des urnes."
http://www.lefigaro.fr/international/20070211.WWW000000061_au_portugal_l_avortement_devient_legal.html
La Nación (Argentina) - Los portugueses votaron en favor de legalizar el aborto
Sydney Morning Herald (Austrália) - Portugal to legalize abortion, says PM
"Portuguese Prime Minister Jose Socrates says he will ask parliament to lift a ban on abortion despite a referendum on the issue looking likely to fail due to low voter turnout."
http://www.smh.com.au/news/World/Portugal-to-legalise-abortion-says-PM/2007/02/12/1171128845966.html
BBC Brasil
"Os portugueses aprovaram neste domingo em referendo uma mudança na lei do país para legalizar o aborto com até dez semanas de gestação."
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070211_aborto_bocadeurnarg.shtml
Estes são só alguns artigos que surgiram a apenas 3 horas dos resultados do referendo em Portugal serem oficialmente divulgados.
A grande questão após a vitória do SIM: o aconselhamento médico (Juramento de Hipócrates)
"Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão.
Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados.
Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão
médica.
Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra."
SIM à IVG até às 10 semanas
08/02/2007
06/02/2007
Breves: os méritos da discussão do referendo sobre a IVG
05/02/2007
Breves: Sobre as declarações de Manuel Pinho na China
04/02/2007
Ser a favor da vida é facil, difícil é assumir a responsabilidade inerente
De um lado está o conceito da vida e do outro a liberdade. Isto é a questão à superfície. Se observarmos um pouco mais fundo o problema verificamos que o conceito de vida está ligado à vida de um feto de até dois meses e meio enquanto a liberdade de que se fala está ligada a uma liberdade de escolha. À partida, toda a gente preferiria ter as duas e, não, ter de escolher entre uma e outra.Obviamente, os partidários do Sim não são contra a vida e os partidários do Não não são contra a liberdade de escolha das mulheres. O problema é que se impõe uma decisão difícil algures entre os dois conceitos. Os partidários do Sim optam por um mundo onde nasçam apenas crianças desejadas, acarinhadas e amadas pelos seus pais. Esta ideia nasce do profundo enternecimento ao ver casos de crianças abandonadas, crianças a pedir na rua, enfim, crianças sem infância nem futuro.
Para os partidários do Não, por seu lado, pesa mais a vida do feto que se perde no útero da mãe. Apelam ao direito à vida e receiam que a despenalização só traga consigo a morte de mais fetos até às dez semanas. Dizem: "quando as crianças nascerem, tentaremos ajudá-las", dizem que a Igreja ajuda. O facto real é que poucas pessoas realmente ajudam. A adopção está longe de ser uma prática comum porque quase ninguém quer ajudar os filhos perdidos dos outros. Todos preferem um filho legítimo em vez da adopção e as leis actuais de adopção não ajudam. Talvez fosse positivo para todos mas, principalmente, para os partidários do Não, pensar numa lei que impusesse uma adopção obrigatória aos casais com mais de um ou dois filhos. Isso significaria assumir a responsabilidade de cuidar daquelas crianças que, em referendo, assumimos que desejavamos que nascessem. Significaria não só ser a favor da vida mas também assumi-lo com responsabilidade. Ser a favor da vida é fácil, difícil é assumir a responsabilidade inerente.
30/01/2007
O significado do voto a favor da despenalização da IVG até às dez semanas
O referendo sobre o aborto está agora a apenas 2 semanas de distância e assiste-se a um intensificar da esgrima de argumentos entre o lado do Sim e o lado do Não.O argumento mais sensacionalista do Não, contudo, é provavelmente aquele que colhe mais votos no momento e consiste apenas em dizer que quem é pelo Sim é a favor do aborto. Ora, isto não corresponde à verdade. Quem votar Sim no referendo que se aproxima estará a concordar unicamente que as mulheres que realizem a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas de vida do feto não sejam acusadas nem eventualmente punidas criminalmente. Isto abre um espectro novo de possibilidades, no entender dos partidários do Sim, desde logo reduzindo drasticamente o aborto clandestino e sem o aconselhamento adequado. Veja-se o caso da despenalização do consumo de drogas leves na Holanda. Quem conhece um pouco a Holanda saberá que os holandeses não são a favor do consumo de drogas e que, inclusivé, olham, na sua maioria, com desdém para os inúmeros turistas que visitam o seu país para passar um fim-de-semana ou uma semana inteira drogados. A única conclusão a que os holandeses chegaram é que não fazia sentido, para eles, acusar e punir criminalmente todos os consumidores de drogas leves. Ou seja, essa prática continua a ser moralmente condenável pela sociedade mas deixou de ser matéria de responsabilização criminal. Assim, surgiu um mundo novo de possibilidades legislativas e um mundo novo de potencial apoio, protecção e aconselhamento. Isto não significa que se incite as drogas, significa que há o desejo de abrir um mundo de novas possibilidades para lidar com o problema.
Votar Sim à despenalização da IVG no próximo referendo em Portugal, significa meramente abrir uma porta e passar a viver num mundo que contém adicionalmente aquele espaço para lá da porta que antes se encontrava inacessível, ao passo que votar Não significa fechar essa porta.
23/01/2007
A hora H, a hora do PAC e a hora do QREN
Finalmente, parece óbvio, pelas ligações especialmente fortes e sólidas entre Portugal e Brasil e pelo momento actual das suas histórias que ambos devem deesenvolver uma cooperação estratégica, bem ao estilo da ideia preconizada pelo Prof. Cavaco Silva e que, embora pareça simples, é uma ideia de enorme valor.
Segue o link para o video da Globo com o discurso do Presidente Lula onde pede participação da sociedade na apresentação do PAC:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM624909-7823-PAC+LULA+PEDE+PARTICIPACAO+DA+SOCIEDADE,00.html
19/01/2007
Samba no Mercosul - Que maravilha é o Mercosul em comparação com a UE!
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Não deixa de ser engraçado para quem viu tantas reuniões da União Europeia em Bruxelas, ver imagens de Evo Morales a correr na praia de Copacabana, ou os presidentes dos países sul-americanos assistindo a um grupo de samba por ocasião de um encontro dos presidentes dos países do Mercosul. Por aí se consegue logo detectar inúmeras diferenças culturais entre a Europa e a América do Sul. Mesmo assim, prefiro as reuniões do Mercosul às da UE. Ah o sol de Copacabana! Que horror a chuva e o frio de Bruxelas! Ah o colorido e a magia de Ipanema! Que horror as ruas e os prédios cinzentos de Bruxelas!
Nítidamente o Presidente Hugo Chavez tem um discurso que não favorece uma integração sul-americana saudável, voltada para o desenvolvimento de um bloco geo-estratégico como o Mercosul. A América do Sul precisa de sair das garras da eterna dicotomia entre ser amigo ou ser inimigo dos Estados Unidos. O continente não pode continuar a viver pensando apenas na grande superpotência americana. Tem que pensar em si próprio e, para si próprio, há valores que são vitais como a democracia. Hugo Chavez não valoriza a democracia nos seus discursos políticos, não valoriza o diálogo. O Presidente da Venezuela não pode ser o grande representante da América do Sul porque, o único regime que, por ventura, se alinha pela ideologia de Hugo Chavez é a Bolívia actualmente. Todos os outros estão numa outra linha. O que fortalece políticos como Hugo Chavez é inoperância dos seus opositores políticos, a sua eterna tendência para problemas como a corrupção, a sua falta de iniciativa e, principalmente, a falta de sucesso no que toca a criar países na Amércia Latina mais desenvolvidos e melhores condições de vida para os seus cidadãos. Enquanto os opositores do populismo não trabalharem a sério com o sólido propósito de desenvolver os seus países, estarão a dar força e poder a Hugo Chavez. Só eles poderão ser considerados culpados se o sucesso do populismo crescer. É a inoperância dos bons que leva ao sucesso dos maus em última análise. E aqueles que sabem o que querem para os seus países não podem ficar só de braços cruzados, esperando o dia mítico do milagre económico mas têm de procurar melhorar activamente tudo o que está ao seu alcance. Só assim se poderá construir uma Amércia Latina melhor.
18/01/2007
"Gig in the Sky" - Jamiroquai vai tocar a 35 mil pés de altura na Alemanha
Aqui fica um vídeo demonstrativo do poder do ritmo e do acid jazz de Jamiroquai em "don't give hate a chance" ao vivo.
13/01/2007
Visita à Índia

A actualidade da semana em Portugal foi dominada pela viagem da comitiva presidencial à Índia. Uma questão que tem sido muito comentada (Miguel Sousa Tavares, Pacheco Pereira, para dar apenas dois exemplos) é o facto da comitiva ser esmagadoramente dominada por empresários e, por ventura, ter-se perdido uma grande oportunidade de divulgar a cultura portuguesa levando mais alguns ilustres representantes da cultura lusa. Pois bem, qual é o maior problema nacional? A economia. É a economia, ou seja, a falta de dinheiro no bolso da maioria dos portugueses, aquilo que nos leva a pensar que estamos em eterna crise. Então, fará sentido pensar na economia e apostar unicamente nela em visitas de Estado? Com certeza que faz sentido apostar na Economia mas ela não é incompatível nem dissociável do lado cultural. Em mais de 130 convidados que contituíram esta comitiva não teria ficado nada mal apostar mais na cultura sendo que a cultura também tem a sua economia própria. O grande trunfo económico que o Presidente da República levou para à Índia foi o grande valor da língua portuguesa, ou seja, um trunfo que provém da cultura. Nesse sentido, fez sentido que a fadista Kátia Guerreiro fizesse parte da comitiva, pois o Fado tambem vende bem em todo o mundo. Mas os livros, assim como muitas outras formas de arte tambem vendem e não só vendem, como divulgam a imagem de um país. Além do mais, o valor da língua portuguesa é valorizado hoje através da arte de Camões, por exemplo. Diz-se da língua portuguesa que é a língua de Camões. Essa é a imagem de marca da língua portuguesa por todo o mundo. É bom que se entenda que a arte também tem o seu valor económico para além do valor cultural e Portugal precisa de fazer germinar novos valores artísticos no estrangeiro para que não fiquemos eternamente só pelo Camões. É vital que entendamos que a arte de um país é o espelho do país e, se não mostramos novos artistas, novos autores ao mundo, o mundo vai ficar eternamente com a ideia de que ainda somos o país do Fado, de Fatima e do Futebol, do Camões, do Salazar, do folclore. No Brasil, Angola e outros países de língua oficial portuguesa ainda hoje lutamos para mudar a imagem do Portugues antiquado, salazarista. Aqui em Portugal, sabemos que esse Portugal caiu como cai a pele dos reptéis e apareceu um novo Portugal pós-Salazarista, moderno, com toda uma nova geração que ainda não tomou todos os lugares de poder mas aos poucos tomará, pela ordem natural das coisas. Enquanto isso lá fora, no estrangeiro a nossa imagem permanece imutável porque a nossa cultura, o espelho do novo Portugal, não chega lá fora. É preciso entender que a imagem de Portugal não se muda só com o Futebol. Aposte-se nas artes plásticas e na literatura uma parcela mínima do que se apostou no Futebol e a imagem de Portugal mudará, gradualmente, da imagem do Portugal Salazarista para a imagem de um país aberto à modernidade e aberto à interacção multi-cultural do novo Mundo globalizado. Esta imagem é essencial para e nossa Economia. A imagem tem um valor inestimável nos dias de hoje. A Marca Portugal se lhe quiserem chamar assim, tem um valor inestimavel e a cultura tem que fazer parte de uma estratégia de Marca Portugal. Não ver isso é um erro lamentável. Continuar a divulgar só o Fado e o Futebol como imagem de Portugal é um erro lamentável. Até porque Portugal, o Portugal de hoje, é muito mais interessante do que isso e os outros países precisam de saber disso. Os próprios portugueses precisam de saber disso com mais frequência.
12/01/2007
O problema fundamental do pagamento de impostos
11/01/2007
Breves: TVCabo (saudades do GNT...)
07/01/2007
O Vendedor de Passados (José Eduardo Agualusa) e o Chão de Giz
Antes que alguém comece a pensar que isto é realmente confuso, devo assumir que não é tanto assim. Existe um fio condutor deste texto: O Vendedor de Passados (livro de José Eduardo Agualusa) e Chão de Giz (música que estou a ouvir neste momento cantada por Zé Ramalho e Elba Ramalho). Acabei há algumas horas o livro e aptece-me dizer que é fruto de bastante imaginação e criatividade. Esses são dois dos factores que mais me agradam na literatura.
No livro há uma osga que foi um homem numa vida passada e que, em sonhos, é um homem e conversa com outros homens. Os sonhos são o seu escape, no fundo, do corpo limitativo de osga. Os sonhos são, no fundo, o nosso escape da limitativa vida real. Numa parte da narratvia isto é enfatizada pelas palavras da Mãe que diz ao filho que a realidade se distingue do sonho pelo seu lado irremediavelmente doloroso. Ora, nos sonhos tudo se remedeia...É aí que surge também o conceito da mentira como algo que enriquece a realidade. É dito, algures no livro, que a mentira é o ofício de muitos como, por exemplo, políticos, advogados e escritores. O escritor é, assim, o arauto da mentira e do sonho porque precisamos de ambos para enriquecer a realidade. Parece-me um bom ofício o de escritor: salvar o mundo da verdade nua e crua da realidade! (devo acrescentar, em nome próprio, que a realidade contém em si imensa beleza, na natureza como nos próprios seres humanos mas, em todo o caso, ela fica indubitavelmente mais bela se lhe acrescentarmos umas pitadas de maravilhosas e idílicas mentiras e alguns sonhos temerários, sem duvida! E que isto seja o mote para o leitor levantar por uns momentos os pés da Terra, descolar, voar e ficar a vaguear o tempo que quiser por este ou por outros mundos desconhecidos!)
02/01/2007
Breves: Saddam + tvi: resultado, o absurdo
Tenho que admitir que a TVI leva o expectador a todos os extremos dos sentimentos que o sensacionalismo pode proporcionar nos noticiários dos dias de hoje! Parabéns!
31/12/2006
Breves: Não haverá mais nenhum prémio Nobel português depois de Saramago num futuro mais ou menos longo
Breves: Morte de Saddam
28/12/2006
Uma Trova para o Natal
22/12/2006
Vitória da opinião pública no caso do aumento dos parlamentares de 91% deve mostrar o caminho para um Brasil melhor
21/12/2006
Financiamento público do ensino superior segundo desempenho das instituições
Mais uma vez haverá contestação como há sempre que há lugar a mudanças mas a generalidade do povo portugês compreenderá que não se pode continuar a financiar o ensino independentemente do desempenho das insituições. Infelizmente está provado que as coisas não funcionam da mesma forma quando há incentivos para se ter um desempenho de excelência e quando não há e a Educação é um campo em que Portugal não pode perder mais tempo. Há anos que a Inglaterra, um exemplo de excelência de ensino superior a nivel mundial, trabalha desta forma.
19/12/2006
Tribunal Federal Suspende Reajuste de 91% dos salários dos parlamentares - A derrota dos parlamentares sem respeito pelo Brasil
Num país onde se luta para que o salário mínimo chegue aos 400 reais e onde a dívida pública é bem maior do que o recomendável apesar das recentes melhorias, é incrível e mostra a total irresponsabilidade de alguns políticos, o facto de haver senadores e parlamentares a querer aumento de 91% de salário para passar de 12,847 para os 24,500 reais e quase a conseguir. Bendito Supremo Tribunal Federal que disse, claramente: Aqui quem ganha esse dinheiro somos só nós! Mais ninguém!
Aldo Rebelo e Renan Calheiros ficaram muito mal na fita.
Os Brasileiros comemoram e respiram de alívio! Ganhou o Brasil e ganhou a democracia!
15/12/2006
Apito Dourado - Cada vez que se descobre um corrupto, vozes se levantam a dizer que a Justiça vai mal...
A questão fundamental que devemos ter em conta é: em que país queremos viver? Num país que julga as pessoas automaticamente assim que vêm a lume alegações de que alguem terá cometido este ou aquele acto criminoso ou queremos viver num país que só acusa mediante provas em concreto e julgamentos segundo a lei? Podemos discutir a lei mas queremos viver num país onde a lei não seja escrupulosamente cumprida? Esse é o primeiro ponto. A lei tem defeitos mas deve ser respeitada se queremos viver num Estado de Direito.
O segundo ponto que devemos pensar é: queremos viver num país onde aqueles que cometem crimes não sejam punidos? Queremos viver num país onde a corrupção passe impune? Para isso temos de começar por aquilo que nos rodeia e pelas nossas próprias acções. É importante reivindicar mais e melhor justiça mas não é saúdavel desacreditá-la através de palavras e opiniões mal medidas. É preciso tomar consciencia que a corrupção já existia muito antes do caso Apito Dourado. Se existe um caso Apito Dourado isso é sinal que a Justiça portuguesa está a funcionar e a dar passos no sentido certo e não o contrário. A nomeação de uma equipa para coordenar todo esse processo chefiada por alguém conhecedor e experiente como Maria José Morgado tambem é um importante passo em frente da Justiça Portuguesa. Cada vez que se descobre um ou mais corruptos, muitos são os que dizem que a Justiça vai mal. Estaria melhor se não descobrisse nada?
07/12/2006
01/12/2006
Brasil recebe os primeiros portáteis para crianças a 150 dólares

Aí está uma iniciativa absolutamente incrível e revolucionária!...São os primeiros portáteis que uma organização fundada por Nicholas Negroponte, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), pretende distribuir por todas as crianças dos países em desenvolvimento.
Pelos vistos ainda não há encomendas suficientes para fazer o preço baixar até aos 100 dólares conforme esperado. Como é possível recusar um PC portátil por 100 ou 150 dólares?
