19/02/2007

Abertura do Carnaval do Rio 2007 - Estácio de Sá

18/02/2007

A minha outra vida há 500 anos atrás


Queria partilhar esta fantástica descoberta que fiz. Descobri, finalmente, porque é que a minha ligação ao Brasil sempre me pareceu tão forte e porque tenho tb essa forte vontade de descobrir novos mundos, senão vejam este texto que descobri na internet:

"Primeiro de janeiro de 1502. Três naus portuguesas, comandadas por Gonçalo Coelho, chegavam à Baía de Guanabara, durante a primeira expedição exploratória do litoral brasileiro, após o descobrimento oficial do nosso país. Também fazia parte da expedição o navegador italiano Américo Vespúcio, que, mais tarde, daria o nome ao Novo Mundo,Confundindo a Baía, a princípio, com um rio, os navegadores estavam descobrindo um dos patrimônios naturais de maior importância e o mais belo do Brasil. Não é para menos, nela estão o Corcovado e o Pão de Açúcar, os cartões postais mais famosos do país, entre outras belezas da Mata Atlântica. Em dias claros dá até para ver, ao fundo, o Dedo de Deus. Porta de entrada do turismo, a Baía de Guanabara fascina e apaixona visitantes de toda parte do mundo. Desde 1502!"
Não consigo imaginar mais incrível e fascinante visão para o primeiro dia do ano. E foi assim, no meio destes dados, que descobri também a origem do nome dado ao Rio de Janeiro. É que, ao que consta, a princípio, os navegadores portugueses pensaram estar num rio e não numa baía e, claro, decorria o mês de Janeiro. Surgiu assim o belo nome da cidade maravilhosa: Rio de Janeiro.

15/02/2007

Elisete: Um novo mundo de intercepção musical entre Israel e Brasil

(www.elisete.com)

Fiquei muito contente por ser contactado pela Elisete para escrever um artigo sobre a sua música porque adoro o ritmo doce, dançante e alegre da música brasileira e porque a Elisete se propõe fazer algo de realmente inovador, um cruzamento cultural entre Brasil e Israel. Foi com este pensamento que fui experimentando, avidamente, os três CDs que, gentilmente, a Elisete me enviou pelo correio desde Israel. Às vezes a ideia que temos de algo na nossa cabeça difere muito da realidade efectiva das coisas mas este não foi o caso. Aliás, quando o CD Luar e Café começou a tocar, foi como se as minhas ideias prévias se materializassem em realidade ou, mais concretamente, em som. Uma voz feminina suave profere a palavra mágica “Capoeira” e não há mais o que enganar, estamos na terra do berimbau, em Salvador da Bahia, nas raízes de Elisete. Depois, algo que não estamos habituados acontece: a mesma voz baiana que nos fala de capoeira começa a cantar um conjunto de sons em hebraico que nos colocam num lugar novo, por explorar, um lugar onde Israel e Brasil se misturam e se interceptam; é o mundo de Elisete e o mundo que ela nos quer levar a conhecer. Neste universo, o mistério do oriente surge-nos transfigurado pelo ritmo brasileiro. Palavras como Israel, Jerusalem, Palestina, Hebreu, Faixa de Gaza, Judeísmo, Judeus e outras deambulam na mente lado a lado com Brasil, alegria, pandeiro, capoeira, berimbau, Salvador, calor. Embarcamos na viagem e não nos sentimos mais confusos mas antes num lugar confortável e prazeroso.

Para quem não entende hebraico (como é o meu caso) começa a surgir uma pergunta que não quer calar: como será que os israelitas acolhem este ousado projecto, esta ousada música, intromissão do ritmo e da alegria brasileira no mundo da língua hebraica, símbolo da cultura judaica? A resposta a esta questão está na forma acolhedora como a crítica israelita e internacional se refere à música de Elisete. Naturalmente, o povo de Israel como muitos outros povos (talvez mais Israel até do que muitos outros) precisam de alegria num mundo onde, cada vez mais, a tragédia se difunde incansavelmente através dos meios de comunicação ou exposições de fotografia jornalística por esse mundo fora (basta olhar para o lote de fotografias premiadas no World Press Photo, por exemplo). Nesse âmbito, talvez o maior valor que o povo brasileiro tem para exportar é, precisamente, a sua capacidade de alegrar a vida dos outros povos, reduzindo os dolorosos efeitos das tragédias com que o mundo é bombardeado. A alegria e o calor (incluindo, bem-entendido, o calor humano) não são marcas registadas do Brasil em nenhuma Instituição do Mundo mas nem precisam de ser. É com estes bens preciosos e muitas vezes desvalorizados que Elisete ilumina o povo de Israel servindo-se do seu conhecimento da linguagem hebraica e portuguesa e, simultâneamente, do ritmo da sua música e da sua bela voz em músicas de títulos tão sugestivos como Shalom Dikaon (em português, Adeus Depressão) do seu segundo álbum Gaagua (Saudade). Os israelitas disfrutam assim de uma viagem de qualidade, em hebraico e português de doce sotaque brasileiro, através da bossa nova, do soul brasileiro, do samba, da capoeira e até forró. No album Elisete – Remixes, álbum de colaboração com DJs israelitas, fica também bem patente a forma como várias músicas de Elisete se colam bem a ritmos mais electrónicos e mais ousados para consumo nocturno em discoteca.

Parabéns Elisete, por transmitir a essa região, da qual tanto ouvimos falar de tragédias, guerras e rancores, algumas sensações mágicas e preciosas como, por exemplo, o “samba do sofrer” que incita a saber sofrer à brasileiro, ou seja, sambando pela vida!

14/02/2007

Fotografia de telescópio mostra como o sol morrerá

Extracto do site Terra:
"O telescópio espacial Hubble, da Nasa, tirou uma fotografia dos últimos instantes de uma estrela que está morrendo. Segundo os cientistas, a imagem da nebulosa NGC 2440 mostra o que irá acontecer com o Sol daqui a cerca de 5 bilhões de anos. A morte da estrela é antecedida por uma explosão multicolorida [ver foto acima].A estrela fotografada pelo Hubble é muito semelhante ao Sol, disseram os cientistas da Nasa. A NGC 2440 está a uma distância de cerca de 4 mil anos luz da Terra. Com a explosão, a estrela espalha várias camadas de gás que se tornam brilhantes diante de sua luz ultravioleta.

Após a explosão, a estrela se transforma em um astro bem menor, branco, onde a temperatura na superfície ultrapassa os 200.000°C."

Felizmente, o Sol ainda vai continuar vivo e a brilhar por 5 biliões de anos! Aqui está ele, tal com é visto pelos telescópios da Nasa, o mesmo que brilha nas ondas do mar, que nos aquece e que nos proporciona aquela maravilhosa visão do pôr-do-sol:

11/02/2007

Citações dos principais jornais e outros meios de comunicação mundiais sobre o referendo à IVG em Portugal

BBC (Reino Unido) - Portugal 'to legalise abortion'
"Prime Minister Jose Socrates has said abortion will be legalised in Portugal despite the turnout for a referendum being too low to be legally binding."
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6350651.stm

Le Figaro (França) - Au Portugal, l'avortement sera légalisé
"C'est une avancée majeure que le Portugal vient de réaliser sur le plan des libertés indivduelles. Entre 57 et 61% des électeurs ont voté en faveur de la dépénalisation de l'avortement, selon divers sondages sortie des urnes."
http://www.lefigaro.fr/international/20070211.WWW000000061_au_portugal_l_avortement_devient_legal.html

La Nación (Argentina) -
Los portugueses votaron en favor de legalizar el aborto
"En un referéndum, más del 57 por ciento de los participantes expresó su voluntad de que se levante la prohibición de esa práctica; ahora es el Parlamento quien deberá tratar la ley"
http://www.lanacion.com.ar/exterior/nota.asp?nota_id=882804&pid=2045982&toi=5269

Sydney Morning Herald (Austrália) - Portugal to legalize abortion, says PM
"Portuguese Prime Minister Jose Socrates says he will ask parliament to lift a ban on abortion despite a referendum on the issue looking likely to fail due to low voter turnout."
http://www.smh.com.au/news/World/Portugal-to-legalise-abortion-says-PM/2007/02/12/1171128845966.html

BBC Brasil
"Os portugueses aprovaram neste domingo em referendo uma mudança na lei do país para legalizar o aborto com até dez semanas de gestação."
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070211_aborto_bocadeurnarg.shtml

Estes são só alguns artigos que surgiram a apenas 3 horas dos resultados do referendo em Portugal serem oficialmente divulgados.

A grande questão após a vitória do SIM: o aconselhamento médico (Juramento de Hipócrates)

A grande questão agora que a luz verde se acendeu para o sim prende-se, sem dúvida, com o tratamento dos médicos perante os novos casos que surgirão em que as mulheres debaixo da pressão de ter de tomar uma decisão sobre abortar ou não, procuram aconselhamento médico. A forma como este aconselhamento ocorrerá não dependerá da legislação, por muito cuidada que ela possa ser mas depende antes dos médicos. Os médicos competentes na área têm um novo desafio pela frente e não resta outra opção que não assumir essa responsabilidade de forma conscienciosa. As convicções pessoais estiveram em jogo no referendo. No consultório deverá prevalecer o direito de todos os pacientes de serem tratados com a máxima competência, isenção e o fundamental direito de decisão com o maior conhecimento possível sobre qualquer acto que diga respeito à vida e ao futuro do próprio paciente. A objecção de consciência não pode ser contrária aos princípios hipocráticos, vinculativos para todos os médicos, inscrita na Declaração de Genebra da Associação Médica Mundial de 1948, onde é dito, entre outras coisas, "A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação":

"Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão.
Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados.
Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão
médica.
Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra."

SIM à IVG até às 10 semanas

Está aberta a porta que permite uma nova legislação com base na despenalização da IVG até às 10 semanas, em estabelecimento de saúde autorizado em Portugal.

06/02/2007

Festa Luso-Brasileira (Portugal-Brazil 6/2/2007)

Breves: os méritos da discussão do referendo sobre a IVG

Independentemente do resultado do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, a discussão destes assuntos é sempre muito positiva. Uma sociedade que reconhece que tem problemas e os discute é como uma pessoa que reconhece os seus defeitos e procura actuar sobre eles. É o grande passo para nos tornarmos melhores.

05/02/2007

Breves: Sobre as declarações de Manuel Pinho na China

De facto, a mão-de-obra qualificada em Portugal é muito competitiva, com custos de trabalho inferiores aos da União Europeia, como afirmou o ministro Manuel Pinho. Aonde está provavelmente a maior falta de competitividade do nosso país é na classe política. Aí ninguém tem problemas de salários baixos. Basta pensar nos salários e subsequentes reformas e outras regalias de deputados, ministros, autarcas, administradores de empresas públicas, etc (sem falar nos custos da corrupção que é de mais difícil acesso ao resto dos trabalhadores portugueses). Aí é que a "mão-de-obra" sai cara ao país...

04/02/2007

Ser a favor da vida é facil, difícil é assumir a responsabilidade inerente

De um lado está o conceito da vida e do outro a liberdade. Isto é a questão à superfície. Se observarmos um pouco mais fundo o problema verificamos que o conceito de vida está ligado à vida de um feto de até dois meses e meio enquanto a liberdade de que se fala está ligada a uma liberdade de escolha. À partida, toda a gente preferiria ter as duas e, não, ter de escolher entre uma e outra.
Obviamente, os partidários do Sim não são contra a vida e os partidários do Não não são contra a liberdade de escolha das mulheres. O problema é que se impõe uma decisão difícil algures entre os dois conceitos. Os partidários do Sim optam por um mundo onde nasçam apenas crianças desejadas, acarinhadas e amadas pelos seus pais. Esta ideia nasce do profundo enternecimento ao ver casos de crianças abandonadas, crianças a pedir na rua, enfim, crianças sem infância nem futuro.
Para os partidários do Não, por seu lado, pesa mais a vida do feto que se perde no útero da mãe. Apelam ao direito à vida e receiam que a despenalização só traga consigo a morte de mais fetos até às dez semanas. Dizem: "quando as crianças nascerem, tentaremos ajudá-las", dizem que a Igreja ajuda. O facto real é que poucas pessoas realmente ajudam. A adopção está longe de ser uma prática comum porque quase ninguém quer ajudar os filhos perdidos dos outros. Todos preferem um filho legítimo em vez da adopção e as leis actuais de adopção não ajudam. Talvez fosse positivo para todos mas, principalmente, para os partidários do Não, pensar numa lei que impusesse uma adopção obrigatória aos casais com mais de um ou dois filhos. Isso significaria assumir a responsabilidade de cuidar daquelas crianças que, em referendo, assumimos que desejavamos que nascessem. Significaria não só ser a favor da vida mas também assumi-lo com responsabilidade. Ser a favor da vida é fácil, difícil é assumir a responsabilidade inerente.

30/01/2007

O significado do voto a favor da despenalização da IVG até às dez semanas

O referendo sobre o aborto está agora a apenas 2 semanas de distância e assiste-se a um intensificar da esgrima de argumentos entre o lado do Sim e o lado do Não.
O argumento mais sensacionalista do Não, contudo, é provavelmente aquele que colhe mais votos no momento e consiste apenas em dizer que quem é pelo Sim é a favor do aborto. Ora, isto não corresponde à verdade. Quem votar Sim no referendo que se aproxima estará a concordar unicamente que as mulheres que realizem a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas de vida do feto não sejam acusadas nem eventualmente punidas criminalmente. Isto abre um espectro novo de possibilidades, no entender dos partidários do Sim, desde logo reduzindo drasticamente o aborto clandestino e sem o aconselhamento adequado. Veja-se o caso da despenalização do consumo de drogas leves na Holanda. Quem conhece um pouco a Holanda saberá que os holandeses não são a favor do consumo de drogas e que, inclusivé, olham, na sua maioria, com desdém para os inúmeros turistas que visitam o seu país para passar um fim-de-semana ou uma semana inteira drogados. A única conclusão a que os holandeses chegaram é que não fazia sentido, para eles, acusar e punir criminalmente todos os consumidores de drogas leves. Ou seja, essa prática continua a ser moralmente condenável pela sociedade mas deixou de ser matéria de responsabilização criminal. Assim, surgiu um mundo novo de possibilidades legislativas e um mundo novo de potencial apoio, protecção e aconselhamento. Isto não significa que se incite as drogas, significa que há o desejo de abrir um mundo de novas possibilidades para lidar com o problema.
Votar Sim à despenalização da IVG no próximo referendo em Portugal, significa meramente abrir uma porta e passar a viver num mundo que contém adicionalmente aquele espaço para lá da porta que antes se encontrava inacessível, ao passo que votar Não significa fechar essa porta.

23/01/2007

A hora H, a hora do PAC e a hora do QREN

É interessante ver como Portugal e Brasil se encontram practicamente ao mesmo tempo chegados à hora H da sua história moderna. Em Portugal chegou a hora do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional). É o terceiro pacote de fundos provenientes da União Europeia para modernizar o país. É o grande momento para Portugal sair da crise em que se encontra. No Brasil o momento é muito semelhante. Chegou a hora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Os factores conjugam-se para que o Brasil desponte finalmente para deixar de ser a eterna potência emergente e assuma, de facto, o seu lugar no mundo como grande potência económica e política a nível mundial ao lado da Índia e da China, acabando com a noção de uma potência única e hegemónica que caracterizou o mundo geopolítico desde o final da guerra fria. Em ambos os casos, é muito importante que portugueses e brasileiros acreditem que podem ser melhores, que podem fazer tudo o que faziam até aqui de forma melhor e que podem e devem ter uma vida melhor. Os Governos por seu lado têm de motivar e criar as condições certas. Isto significa que o Governo tem de enviar os sinais certos para o povo, o que implica entre outras coisas, enviar sinais que o próprio Governo acredita que pode fazer mais e melhor em todos os campos da sua competência. Governo e população devem formar uma simbiose, uma sinergia que faça crescer o desenvolvimento.
Finalmente, parece óbvio, pelas ligações especialmente fortes e sólidas entre Portugal e Brasil e pelo momento actual das suas histórias que ambos devem deesenvolver uma cooperação estratégica, bem ao estilo da ideia preconizada pelo Prof. Cavaco Silva e que, embora pareça simples, é uma ideia de enorme valor.

Segue o link para o video da Globo com o discurso do Presidente Lula onde pede participação da sociedade na apresentação do PAC:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM624909-7823-PAC+LULA+PEDE+PARTICIPACAO+DA+SOCIEDADE,00.html

19/01/2007

Samba no Mercosul - Que maravilha é o Mercosul em comparação com a UE!


Não deixa de ser engraçado para quem viu tantas reuniões da União Europeia em Bruxelas, ver imagens de Evo Morales a correr na praia de Copacabana, ou os presidentes dos países sul-americanos assistindo a um grupo de samba por ocasião de um encontro dos presidentes dos países do Mercosul. Por aí se consegue logo detectar inúmeras diferenças culturais entre a Europa e a América do Sul. Mesmo assim, prefiro as reuniões do Mercosul às da UE. Ah o sol de Copacabana! Que horror a chuva e o frio de Bruxelas! Ah o colorido e a magia de Ipanema! Que horror as ruas e os prédios cinzentos de Bruxelas!

Nítidamente o Presidente Hugo Chavez tem um discurso que não favorece uma integração sul-americana saudável, voltada para o desenvolvimento de um bloco geo-estratégico como o Mercosul. A América do Sul precisa de sair das garras da eterna dicotomia entre ser amigo ou ser inimigo dos Estados Unidos. O continente não pode continuar a viver pensando apenas na grande superpotência americana. Tem que pensar em si próprio e, para si próprio, há valores que são vitais como a democracia. Hugo Chavez não valoriza a democracia nos seus discursos políticos, não valoriza o diálogo. O Presidente da Venezuela não pode ser o grande representante da América do Sul porque, o único regime que, por ventura, se alinha pela ideologia de Hugo Chavez é a Bolívia actualmente. Todos os outros estão numa outra linha. O que fortalece políticos como Hugo Chavez é inoperância dos seus opositores políticos, a sua eterna tendência para problemas como a corrupção, a sua falta de iniciativa e, principalmente, a falta de sucesso no que toca a criar países na Amércia Latina mais desenvolvidos e melhores condições de vida para os seus cidadãos. Enquanto os opositores do populismo não trabalharem a sério com o sólido propósito de desenvolver os seus países, estarão a dar força e poder a Hugo Chavez. Só eles poderão ser considerados culpados se o sucesso do populismo crescer. É a inoperância dos bons que leva ao sucesso dos maus em última análise. E aqueles que sabem o que querem para os seus países não podem ficar só de braços cruzados, esperando o dia mítico do milagre económico mas têm de procurar melhorar activamente tudo o que está ao seu alcance. Só assim se poderá construir uma Amércia Latina melhor.

18/01/2007

"Gig in the Sky" - Jamiroquai vai tocar a 35 mil pés de altura na Alemanha

"Ninguém jamais fez um show como este antes", disse Jay Kay ao tablóide "The Sun". "Rock 'n' roll tem a ver com quebrar barreiras e a 'Gig in the Sky' é isso." A ideia é entrar para o livro de records do Guiness tocando o "groovy" acid jazz que tornou a banda um sucesso no mundo inteiro, para cerca de 200 pessoas a bordo de um Boeing 757 a 35 mil pés de altura. O "Gig in the Sky", assim se intitula este espectáculo, irá descolar da capital alemã da Baviera, Munique, no dia 21 de Fevereiro.
Aqui fica um vídeo demonstrativo do poder do ritmo e do acid jazz de Jamiroquai em "don't give hate a chance" ao vivo.

13/01/2007

Visita à Índia


A actualidade da semana em Portugal foi dominada pela viagem da comitiva presidencial à Índia. Uma questão que tem sido muito comentada (Miguel Sousa Tavares, Pacheco Pereira, para dar apenas dois exemplos) é o facto da comitiva ser esmagadoramente dominada por empresários e, por ventura, ter-se perdido uma grande oportunidade de divulgar a cultura portuguesa levando mais alguns ilustres representantes da cultura lusa. Pois bem, qual é o maior problema nacional? A economia. É a economia, ou seja, a falta de dinheiro no bolso da maioria dos portugueses, aquilo que nos leva a pensar que estamos em eterna crise. Então, fará sentido pensar na economia e apostar unicamente nela em visitas de Estado? Com certeza que faz sentido apostar na Economia mas ela não é incompatível nem dissociável do lado cultural. Em mais de 130 convidados que contituíram esta comitiva não teria ficado nada mal apostar mais na cultura sendo que a cultura também tem a sua economia própria. O grande trunfo económico que o Presidente da República levou para à Índia foi o grande valor da língua portuguesa, ou seja, um trunfo que provém da cultura. Nesse sentido, fez sentido que a fadista Kátia Guerreiro fizesse parte da comitiva, pois o Fado tambem vende bem em todo o mundo. Mas os livros, assim como muitas outras formas de arte tambem vendem e não só vendem, como divulgam a imagem de um país. Além do mais, o valor da língua portuguesa é valorizado hoje através da arte de Camões, por exemplo. Diz-se da língua portuguesa que é a língua de Camões. Essa é a imagem de marca da língua portuguesa por todo o mundo. É bom que se entenda que a arte também tem o seu valor económico para além do valor cultural e Portugal precisa de fazer germinar novos valores artísticos no estrangeiro para que não fiquemos eternamente só pelo Camões. É vital que entendamos que a arte de um país é o espelho do país e, se não mostramos novos artistas, novos autores ao mundo, o mundo vai ficar eternamente com a ideia de que ainda somos o país do Fado, de Fatima e do Futebol, do Camões, do Salazar, do folclore. No Brasil, Angola e outros países de língua oficial portuguesa ainda hoje lutamos para mudar a imagem do Portugues antiquado, salazarista. Aqui em Portugal, sabemos que esse Portugal caiu como cai a pele dos reptéis e apareceu um novo Portugal pós-Salazarista, moderno, com toda uma nova geração que ainda não tomou todos os lugares de poder mas aos poucos tomará, pela ordem natural das coisas. Enquanto isso lá fora, no estrangeiro a nossa imagem permanece imutável porque a nossa cultura, o espelho do novo Portugal, não chega lá fora. É preciso entender que a imagem de Portugal não se muda só com o Futebol. Aposte-se nas artes plásticas e na literatura uma parcela mínima do que se apostou no Futebol e a imagem de Portugal mudará, gradualmente, da imagem do Portugal Salazarista para a imagem de um país aberto à modernidade e aberto à interacção multi-cultural do novo Mundo globalizado. Esta imagem é essencial para e nossa Economia. A imagem tem um valor inestimável nos dias de hoje. A Marca Portugal se lhe quiserem chamar assim, tem um valor inestimavel e a cultura tem que fazer parte de uma estratégia de Marca Portugal. Não ver isso é um erro lamentável. Continuar a divulgar só o Fado e o Futebol como imagem de Portugal é um erro lamentável. Até porque Portugal, o Portugal de hoje, é muito mais interessante do que isso e os outros países precisam de saber disso. Os próprios portugueses precisam de saber disso com mais frequência.

12/01/2007

O problema fundamental do pagamento de impostos

Qual é o problema fundamental do pagamento de impostos? O destino desses impostos. Senão vejamos: quando alguém paga impostos o que acontece? Há dinheiro que os cidadãos de um determinado país pagam, que sai do seu bolso, dos seus rendimentos, e vai para o Estado para ser admnistrado pelos Serviços Cetrais do Estado ou pelo poder local. Vejamos um caso prático. Um cidadão tem um problema na sua casa, pede o auxílio de alguém para reparar o problema. Aparece então um técnico que faz a reparação. O cidadão pede o recibo. O técnico diz: "Sim, senhor, eu posso passar um recibo. O dinheiro que o senhor vai pagar a mais vai para o Estado, não é para mim, por isso é-me perfeitamente indiferente." Perante estas palavras o cidadão resolve esquecer o recibo, natutralmente. Naturalmente, porquê? Porque o cidadão sabe que aquele dinheiro que vai dar ao Estado nunca mais voltará para o seu bolso. O cidadão olha para as notícias da actualidade política e diz para consigo, aqui em Portugal como no Brasil, que o dinheiro dos impostos vai para os empregos com salários chorudos para quem é do partido do poder. Para deputados, senadores, adminstradores de empresas públicas, governadores, presidentes de camara ou prefeitos, corrupção, pagamento de favores, negócios escuros e talvez uma boa percentagem vá para o bem público geral. Por isso o cidadão foge aos impostos e paga aquilo que é obrigado de má vontade. O problema fundamental do pagamento de impostos é a credibilidade dos políticos, em suma. E não há outro remédio para este mal a não ser os políticos darem o exemplo e lutarem por obter mais credibilidade através das suas acções. A boa Moeda tem que eliminar a má Moeda.

11/01/2007

Breves: TVCabo (saudades do GNT...)

Quando será que volta o GNT? Será que ainda não deu para perceber o descontentamento e a desilusão dos clientes da televisão por cabo com a substituição do GNT pela TV Record? O que aconteceu à velha máxima de satisfazer os clientes? Já há muito que deu para ver que todos ficavamos mais bem servidos se o GNT voltasse a grelha de canais da TV por cabo. O que falta mais para mudar?

07/01/2007

O Vendedor de Passados (José Eduardo Agualusa) e o Chão de Giz

Atenção: Este texto que se segue é uma confusa amálgama de pensamentos, do tipo que só acontece quando pomos em palavras exactamente o que nos passa pela cabeça. Prossiga a sua própria conta e risco!

Antes que alguém comece a pensar que isto é realmente confuso, devo assumir que não é tanto assim. Existe um fio condutor deste texto: O Vendedor de Passados (livro de José Eduardo Agualusa) e Chão de Giz (música que estou a ouvir neste momento cantada por Zé Ramalho e Elba Ramalho). Acabei há algumas horas o livro e aptece-me dizer que é fruto de bastante imaginação e criatividade. Esses são dois dos factores que mais me agradam na literatura.
No livro há uma osga que foi um homem numa vida passada e que, em sonhos, é um homem e conversa com outros homens. Os sonhos são o seu escape, no fundo, do corpo limitativo de osga. Os sonhos são, no fundo, o nosso escape da limitativa vida real. Numa parte da narratvia isto é enfatizada pelas palavras da Mãe que diz ao filho que a realidade se distingue do sonho pelo seu lado irremediavelmente doloroso. Ora, nos sonhos tudo se remedeia...É aí que surge também o conceito da mentira como algo que enriquece a realidade. É dito, algures no livro, que a mentira é o ofício de muitos como, por exemplo, políticos, advogados e escritores. O escritor é, assim, o arauto da mentira e do sonho porque precisamos de ambos para enriquecer a realidade. Parece-me um bom ofício o de escritor: salvar o mundo da verdade nua e crua da realidade! (devo acrescentar, em nome próprio, que a realidade contém em si imensa beleza, na natureza como nos próprios seres humanos mas, em todo o caso, ela fica indubitavelmente mais bela se lhe acrescentarmos umas pitadas de maravilhosas e idílicas mentiras e alguns sonhos temerários, sem duvida! E que isto seja o mote para o leitor levantar por uns momentos os pés da Terra, descolar, voar e ficar a vaguear o tempo que quiser por este ou por outros mundos desconhecidos!)

02/01/2007

Breves: Saddam + tvi: resultado, o absurdo

A TVI apesar de tudo ainda consegue surpreender pela sua audácia comercial. No dia da execução de Saddam Hussein a TVI abre o telejornal da hora do almoço com imagens integrais do momento da execução, onde podemos seguir todos os mórbidos segundos do acontecimento. No dia seguinte, à hora do jantar, a TVI apresenta uma reportagem sobre Saddam Hussein como homem de família, que contava histórias de crianças aos netos e outras miudezas enternecedoras da vida privada do ex-ditador iraquiano.
Tenho que admitir que a TVI leva o expectador a todos os extremos dos sentimentos que o sensacionalismo pode proporcionar nos noticiários dos dias de hoje! Parabéns!

31/12/2006

Breves: Não haverá mais nenhum prémio Nobel português depois de Saramago num futuro mais ou menos longo

É o que nos diz José António Saraiva no segundo volume das suas Confissões. Esse é o tipo de pessimismo que não faz falta nenhuma a Portugal nem aos portugueses. Já há suficiente pessimismo e negativismo em Portugal. É preciso olhar para a frente com confiança. Acredito que em breve haverá mais prémios Nobeis para Portugal não só na Literatra mas também nas outras áreas possíveis se estes pessimismos passarem a ser cada vez mais raros. Vamos construir um país mais positivo e mais optimista!

Breves: Morte de Saddam

Confuso este mundo onde a justiça chega de uma forma tão bárbara...mas quem age de uma forma bárbara para com os outros pode sempre receber uma força contrária contra si em igual medida. É a lei de acção-reacção que acaba com Saddam no final de contas. Pura e simples...e fria.

28/12/2006

Uma Trova para o Natal

Ouça enquanto trabalha, enquanto navega na internet, enquanto conversa, mas ouça esta trova uma vez e reflicta. Vale a pena! (Quem não gostar pode sempre deixar aqui um comentário de desagrado...)

22/12/2006

Vitória da opinião pública no caso do aumento dos parlamentares de 91% deve mostrar o caminho para um Brasil melhor

A opinião pública brasileira ficou unida, manifestou-se e conseguiu a sua vitória. Isso mostra que o povo brasileiro pode e deve ter um lugar mais activo para fazer do Brasil o grande país do futuro, moderno e civilizado que há muito promete ser. Esta manifestação de toda a sociedade brasileira pode e deve ser ampliada para outros campos como, por exemplo, uma vasta reforma política, com vista a uma redução inteligente das estruturas paralamentares e do seu número de funcionários, senadores e deputados e ainda uma maior exigência de responsabilização dos parlamentares e senadores em casos de incumprimentos da lei como são os casos (infelizmente) recorrentes de corrupção.

21/12/2006

Financiamento público do ensino superior segundo desempenho das instituições

"O primeiro-ministro avançou hoje, no Parlamento, que o financiamento público do ensino superior terá um sistema de contratos institucionais com base em indicadores de desempenho e mecanismos para premiar a obtenção de fundos próprios por parte das instituições."

Mais uma vez haverá contestação como há sempre que há lugar a mudanças mas a generalidade do povo portugês compreenderá que não se pode continuar a financiar o ensino independentemente do desempenho das insituições. Infelizmente está provado que as coisas não funcionam da mesma forma quando há incentivos para se ter um desempenho de excelência e quando não há e a Educação é um campo em que Portugal não pode perder mais tempo. Há anos que a Inglaterra, um exemplo de excelência de ensino superior a nivel mundial, trabalha desta forma.

19/12/2006

Tribunal Federal Suspende Reajuste de 91% dos salários dos parlamentares - A derrota dos parlamentares sem respeito pelo Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta terça-feira, 19/12, o reajuste de 91% nos salários dos parlamentares. Os ministros do STF decidiram que é inconstitucional o decreto legislativo que autoriza as Mesas Diretoras de Câmara e Senado a equiparar os salários dos parlamentares aos dos próprios ministros.

Num país onde se luta para que o salário mínimo chegue aos 400 reais e onde a dívida pública é bem maior do que o recomendável apesar das recentes melhorias, é incrível e mostra a total irresponsabilidade de alguns políticos, o facto de haver senadores e parlamentares a querer aumento de 91% de salário para passar de 12,847 para os 24,500 reais e quase a conseguir. Bendito Supremo Tribunal Federal que disse, claramente: Aqui quem ganha esse dinheiro somos só nós! Mais ninguém!

Aldo Rebelo e Renan Calheiros ficaram muito mal na fita.

Os Brasileiros comemoram e respiram de alívio! Ganhou o Brasil e ganhou a democracia!

15/12/2006

Apito Dourado - Cada vez que se descobre um corrupto, vozes se levantam a dizer que a Justiça vai mal...

Com tudo o que veio a lume depois de ter saído o livro "Eu, Carolina" muita gente se mostra descontente com o estado da Justiça em Portugal. Uns discutem que depois de tudo o que circula nos meios de comunicação já devia ter sido feito muito mais. Gostariam de ver prisões preventivas, acusações formais da parte dos orgãos judiciais a A ou B. É preciso ter muito cuidado com as vozes que se levantam na praça pública pedindo julgamentos sumários com base em alegações que circulam nos meios de comunicação como o caso do livro escrito por Carolina Salgado.
A questão fundamental que devemos ter em conta é: em que país queremos viver? Num país que julga as pessoas automaticamente assim que vêm a lume alegações de que alguem terá cometido este ou aquele acto criminoso ou queremos viver num país que só acusa mediante provas em concreto e julgamentos segundo a lei? Podemos discutir a lei mas queremos viver num país onde a lei não seja escrupulosamente cumprida? Esse é o primeiro ponto. A lei tem defeitos mas deve ser respeitada se queremos viver num Estado de Direito.
O segundo ponto que devemos pensar é: queremos viver num país onde aqueles que cometem crimes não sejam punidos? Queremos viver num país onde a corrupção passe impune? Para isso temos de começar por aquilo que nos rodeia e pelas nossas próprias acções. É importante reivindicar mais e melhor justiça mas não é saúdavel desacreditá-la através de palavras e opiniões mal medidas. É preciso tomar consciencia que a corrupção já existia muito antes do caso Apito Dourado. Se existe um caso Apito Dourado isso é sinal que a Justiça portuguesa está a funcionar e a dar passos no sentido certo e não o contrário. A nomeação de uma equipa para coordenar todo esse processo chefiada por alguém conhecedor e experiente como Maria José Morgado tambem é um importante passo em frente da Justiça Portuguesa. Cada vez que se descobre um ou mais corruptos, muitos são os que dizem que a Justiça vai mal. Estaria melhor se não descobrisse nada?

01/12/2006

Brasil recebe os primeiros portáteis para crianças a 150 dólares


Aí está uma iniciativa absolutamente incrível e revolucionária!...São os primeiros portáteis que uma organização fundada por Nicholas Negroponte, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), pretende distribuir por todas as crianças dos países em desenvolvimento.
Pelos vistos ainda não há encomendas suficientes para fazer o preço baixar até aos 100 dólares conforme esperado. Como é possível recusar um PC portátil por 100 ou 150 dólares?
© Gonçalo Coelho