14/03/2006

Derretimento das geleiras deve provocar o desaparecimento de todas as cidades ao nível do mar no máximo até o final deste século


Eis um artigo que nos deve interessar e preocupar a todos e que pela sua importância e genialidade, resolvi transcrever na totalidade:

"Vindas das mais variadas fontes, as notícias sobre o futuro da humanidade não são nada boas. Não há mais volta: mesmo que mudemos radicalmente nossa forma de relação com o planeta a partir de hoje, o prejuízo causado por nossas ações predatórias já atingiu um nível tamanho que o derretimento das geleiras deve provocar o desaparecimento de todas as cidades ao nível do mar no máximo até o final deste século. Essa triste previsão está num artigo publicado há pouco mais de um mês pelo cientista britânico James Lovelock, autor da famosa Teoria de Gaia (segundo a qual a Terra assemelha-se a um organismo vivo, com mecanismos para auto-regular suas funções). Ainda segundo Lovelock, a elevação da temperatura em até 8ºC nas regiões temperadas e 5ºC nos trópicos vai provocar também, antes de 2100, impactos desastrosos no equilíbrio ecológico, como a extinção maciça de espécies vegetais e animais e o desaparecimento de vastas áreas selvagens como a Floresta Amazônica, decretando o fim da maior parte da vida na Terra, com a morte de milhões, talvez bilhões de pessoas. Na opinião do cientista, governos sérios e responsáveis deveriam começar a desenvolver cartilhas com orientações aos sobreviventes sobre como lidar com as difíceis condições de vida neste futuro sombrio.

A reação do mundo a um alerta como esse, vindo de um dos mais reconhecidos cientistas do nosso tempo, deveria ser de comoção popular. Deveríamos parar tudo e começar a centrar nossos esforços em formas de ao menos minimizar os tenebrosos efeitos anunciados. Mas nada disso aconteceu e tudo segue normalmente como se essa fosse apenas mais uma notícia trivial e corriqueira. Um jornal publica o artigo, outro dá uma nota curta e seca e assim vamos tocando nossas vidas normalmente. Essa atitude seria compreensível se a visão de Lovelock fosse apenas uma no meio de outras conflitantes. Poderíamos confortavelmente acusá-lo de louco, exagerado, catastrófico. Mas não é o caso. Já não são levadas a sério as cada vez mais raras correntes científicas que colocam em dúvida o fato de que a Terra sofre um processo de aquecimento acelerado, dificilmente reversível.

Segundo o Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa, 2005 foi o ano mais quente desde o início dos registros climáticos modernos, em 1890. E, pior, de acordo com o instituto, todos os cinco anos mais quentes durante este período ocorreram na última década, mostrando clara tendência de aquecimento global. Um representante do órgão declarou à imprensa que, usando medições indiretas que vão a um passado ainda mais remoto, o ano passado foi provavelmente o mais quente dos últimos milhares de anos. Mais uma notícia que lemos e viramos a página, sem dar muita atenção. Mais: um aumento de 3ºC na temperatura média da Gronelândia duplicou a quantidade de água que suas geleiras vêm derramando no Oceano Atlântico, segundo recentes pesquisas do Laboratório de Propulsão a Jato e do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Há registros de diminuição das geleiras no Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da Bolívia, Chacaltaya, fechou porque sua neve está acabando.

Acha pouco? A lista é longa, o espaço de um artigo é limitado. O diretor da Pesquisa Antártica do Reino Unido, Chris Rapley, disse, em janeiro passado, durante reunião da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência, que algumas partes da camada de gelo da Antártida começaram a derreter em um ritmo assustadoramente intenso e anormal. Rapley afirmou que, há apenas cinco anos, a Antártida era considerada como um gigante adormecido em termos de mudança climática. "O gigante despertou e é melhor que se preste atenção nele", disse o cientista. Ninguém parece muito preocupado. A humanidade finge não ver o que está acontecendo.

Enquanto isso, James Hansen, o principal especialista em mudança climática da Nasa, denuncia uma tentativa do governo dos EUA de silenciá-lo. A campanha começou depois de um discurso proferido em dezembro passado, quando Hansen pediu a rápida redução na emissão dos gases estufa, relacionados ao aquecimento global. Segundo ele, diretores da Nasa deram ordem aos responsáveis pelas relações públicas do órgão para revisar os textos de suas futuras conferências, suas publicações no sítio do instituto na Internet e para controlar os pedidos de entrevistas de jornalistas.

Há caminhos que podem ser trilhados se a humanidade realmente abrir os olhos para a questão. Uma série de ações voltadas ao fomento de fontes de energia renováveis, em um livro elaborado por 250 analistas internacionais, foi apresentada recentemente pelo diretor-executivo da Agência Internacional da Energia, Claude Mandil. Aparecem, entre elas, as energias produzidas pelo vento, o sol, as fontes geotérmicas e os oceanos. Ótimo, não? Não, se o raciocínio que só encontra sentido na produção otimizada e no lucro continuar reinando absoluto. Segundo o próprio Mandil, o grande problema de suas propostas é o custo econômico alto para trazê-las para a prática, o que, segundo diz, inviabiliza suas iniciativas e faz os governos se mostrarem reticentes a elas. Por que é que a gente é assim? Por que fechamos os olhos para estes alertas, apesar de estar claro que é apenas uma questão de tempo para as conseqüências nefastas de essas previsões começarem a afetar brutalmente nossas vidas e, principalmente, as vidas de nossos filhos e netos? Acho que a nossa espécie, apesar da capacidade relativamente bem desenvolvida de prever o futuro, é menos competente na hora de mudar suas atitudes, mesmo quando colocada contra a parede. Enquanto não superarmos esta limitação, não haverá espaço para a esperança."


Redação 360 Danilo Di Giorgi (http://www.msn.com.br/esportes/ecoturismo/extra2/)

22/02/2006

Todos os dias estamos à espera de alguém que leve um passo mais adiante a liberdade de expressão só para ser popular


"A liberdade de expressão é um valor que deve ser preservado"- dizem alguns que ao mesmo tempo se servem da liberdade de expressão como arma de arremesso a outros. Outros dizem: “A liberdade de expressão é um direito que nós os ocidentais conquistámos através de duras batalhas e que deve estar acima de qualquer ataque" - dizem outros achando que a liberdade de expressão pode ser alguma espécie de produto ou ideia com patente ou marca registada dos ocidentais.

A dificuldade maior no contexto mundial actual é que o conceito de liberdade de expressão não é mais um conceito com uma definição estanque. A liberdade de expressão com contornos de liberdade ilimitada não passa de um mito na mente de algumas pessoas, já que os limites existem mesmo nas sociedades ocidentais e estão consagrados sobre a forma de leis. Dados estes limites, que na maioria dos casos permitem muita flexibilidade e que são unicamente definidos por leis que poucos conhecem na totalidade, novos acontecimentos de proporções nunca antes imaginadas têm ocorrido colocando novas dúvidas e lançando o debate sobre onde deveriam estar os limites, não só os limites legais mas também os limites éticos e morais. A situação caricata que hoje verificamos é que a liberdade de expressão é por vezes um argumento muito forte utilizado para fins no mínimo questionáveis. Um insulto, hoje em dia, é considerado um exercício da liberdade de expressão. Uma ofensa a uma pessoa, a um povo ou a uma religião é considerado um exercício de liberdade de expressão. Até os segredos de Estado, são livres, quando conhecidos pelos jornalistas, saindo para as páginas dos jornais como pombas brancas da liberdade de expressão. Não há mais segredos, porque somos todos livres de os querer conhecer ou não e porque os outros são livres de nos contar. O resultado é que alguns elementos dos media conquistaram através do conceito de liberdade de expressão um poder jamais alcançado, até porque diga-se em abono da verdade a maior parte das pessoas nunca recorreria a um tribunal no caso de ser insultada ou de ver insultada alguma coisa em que acredita em qualquer meio de comunicação.

Coloca-se então uma outra questão: Porque são tão procurados hoje em dia os excessos de linguagem, esses insultos a alguém ou algo, essa linguagem ofensiva? Os excessos de linguagem são populares e inesperadamente bem aceites hoje em dia, porque são como notas desafinadas no meio de uma floresta infinita de música sobre a forma de livros, artigos, palavras, ideias, colunas, ensaios, opiniões, etc. Sem valor para ser notado por fazer algo melhor do que os outros, muitos são seduzidos a tentar atingir notoriedade pelo excesso de notas desafinadas, um caminho de abordagem mais fácil para muitos. O princípio é simples: de tão desafinados que são, acabarão por fazer tanto estrago no mundo que inevitavelmente serão notados. São os excessos, os insultos a pessoas, ideias, e crenças talvez a forma actualmente mais procurada para alguém que escreve ser notado e colocado em evidência no mundo. A coisa mais simples hoje em dia é ser-se notado no mundo das letras com ideias ou trabalhos inusitadamente grotescos ou violentos. Abrigados debaixo do guarda-chuva da liberdade de expressão inúmeros são aqueles que por esse mundo fora se lançam nessa estratégia, seguidos por inúmeros jornais, revistas, e canais de televisão. E como actualmente a popularidade (que leva à celebridade e à capa dos jornais e revistas) é um dos grandes valores do mundo em que vivemos, rapidamente a violência, o grotesco, o inusitadamente horrível e ofensivo se tornou veículo não só aceitavel como na maioria dos casos até venerado como símbolo máximo da liberdade de expressão, algo como uma pomba branca rara. Só que a pomba branca procura a paz não o confronto. A liberdade de expressão deve procurar o desenvolvimento e a paz, não o confronto e a agressão gratuita. Os excessos deveriam talvez até ser merecedores de honra na mente de alguns directores de jornais, canais de televisão ou revistas já que prestam como dizem, um serviço para a humanidade que anseia por deitar o olho e o seu olhar crítico a tamanho despudor, tamanho mau senso, e tamanha violência verbal ou gráfica. Os agressores através da linguagem gráfica ou verbal que nos mostram esse tipo de “informação”, essa tão gritante forma de liberdade de expressão, cumpririam assim um dever de certa forma. No entanto, essas pessoas acabam por prestar isso sim, um péssimo serviço ao seu público e à própria liberdade de expressão.

“A liberdade de expressão não pode ter quaisquer limites” – dizem alguns. Ora se não há limites é porque não há valores, só há um valor máximo que é o de poder dizer tudo o que nos aptece sem pensar, sem usar a cabeça, sem nexo, sem objectivo a não ser falar, e dizer o maior disparate, o mais grotesco possível para ser ouvido e visto pelo mundo. Mas até os mais grotescos, sujos e ofensivos de todo o mundo ficaram surpreendidos e se preguntaram nos últimos meses como é possível fazer melhor do que as fugas de informação sobre as escutas dos serviços de informação em Portugal? Como fazer melhor do que as famigeradas caricaturas divulgadas constantemente? Como fazer melhor do que passar em qualquer horário (sempre com total liberdade de expressão) as mais grotescas imagens da prisão de Abu Ghraib? Como fazer melhor do que negar o holocausto? Já lá vão os tempos em que para se fazer notar bastava entrar num relvado de um estádio de futebol a abarrotar de público completamente nu.

Todos os dias estamos à espera de alguém que leve um passo mais adiante a liberdade de expressão só para ser popular. Parece que vale tudo para conseguir a popularidade nos dias de hoje.

08/02/2006

OPA da Sonae sobre a PT: Comentários sobre um momento histórico da economia portuguesa


Estamos perante um daqueles momentos que se vão tornando cada vez mais frequentes nos dias de hoje, quando a principal notícia dos jornais de economia é também a principal notícia de todos os outros jornais, ou seja, um fenómeno económico domina a actualidade. Dirão os economistas que isto é perfeitamente natural já que o mundo depende da economia e a economia manda de certa forma no mundo em que vivemos.

Uma das grandes novidades em relação a esta OPA é o facto de se passar em Portugal, já que fusões desta magnitude se têm tornado relativamente comuns no mundo dos negócios a nível global. Desse ponto de vista, Portugal atinge um marco em termos económicos que demonstra, apesar do tempo em que vivemos, uma certa vitalidade na economia portuguesa. Devemos agradecer essa vitalidade e esse marco na história da economia portuguesa à SONAE e ao Eng.º Belmiro de Azevedo, o mais brilhante homem de negócios do nosso país.

Dir-se-ia que só existe inquietude da parte de dois grupos de pessoas: os colaboradores da PT e o seu conselho administrativo presidido pelo Dr. Miguel Horta e Costa. As inquietudes prendem-se com o facto de poder perder o seu posto de trabalho no primeiro caso, e o de ser demovido do seu cargo de chefia e de poder, de uma forma um pouco inglória, no segundo caso.

Por outro lado, os consumidores vêem finalmente a luz ao fundo do túnel, no que respeita à aparente inevitabilidade de serem explorados ano após ano pelo monopólio nas telecomunicações da PT. Um monopólio que afecta sobremaneira a evolução do nosso país nos campos das tecnologias informáticas e das comunicações fixas, bem como os bolsos dos portugueses, em troco de um serviço com baixa qualidade.

A PT parecia daquelas empresas que conseguiam dominar a marcha do tempo e só ultimamente começavam a aparecer sintomas de que o tempo e a evolução frenética das mentes produtivas e impiedosas do mundo empresarial também podiam atingir este grupo. Esta é mais uma prova que nos dias de hoje ninguém pode parar no mundo empresarial ou será impiedosamente ultrapassado por outros. O pecado neste caso nem terá sido parar, mas antes andar demasiado devagar e com baixa qualidade e eficiência.

Importa lembrar aqui os japoneses apologistas da melhoria contínua ou KAIZEN, que nos dizem que onde não há problemas, também não há melhoria. Parece que na PT nunca houve problemas. Quando os clientes reclamavam, a PT sempre agia como se não houvesse problemas do seu lado, não se importando em colocar inúmeras vezes os clientes horas e horas à espera de serem atendidos para poderem reclamar. Os responsáveis pela PT não aproveitaram os problemas para melhorar, não seguiram o KAIZEN. O resultado agora é que todos torcem para que estes responsáveis sejam afastados do comando da PT para que outros tomem conta e sigam o KAIZEN para benefício dos clientes, do governo, e do povo português em geral.

05/02/2006

Munich - Um filme 5 estrelas!



Este último filme fantástico de Steven Spielberg tem optima realização, optimos actores e actuações, optimo argumento, tem suspense, acção, romance, e acima de tudo é uma oportunidade para aprender e reflectir sobre um dos conflitos de maior impacto dos nossos tempos: o conflito entre Israel e a Palestina. Isto tudo tendo por base um acontecimento verídico, o que valoriza ainda mais o filme. O conflito parece interminável e ao mesmo tempo parece que ambos os lados têm razão assim como ambos os lados têm culpa por não o conseguirem sanar. Acima de tudo, a verdade inegável é que ambos os lados sofrem e isso fica bem patente neste filme. É através deste sofrimento que o realizador passa a ideia de que algo está errado na forma de pensar e de agir de ambos os lados que leva unicamente a uma contínua espiral de violência. A vingança dos acontecimentos nos Jogos Olímpicos de Munique não traz nada de bom nem para Israel nem para o grupo que leva a cabo os assassínios.

A razão principal para o conflito, essa é-nos dada através da voz dos personagens: a casa. É difícil viver sem ter uma casa, e ter uma casa custa sempre caro. De parte a parte parece que ambos têm simplesmente o desejo de ter casa própria, de ter um país próprio. No entanto, não deixa de ser um paradoxo que no final, Avner (Eric Bana), depois de se sacrificar e trabalhar tanto pelo seu país acaba por renunciar a viver no seu país, vivendo no exílio nos E.U.A., acabando assim eventualmente por criar uma distância entre si e entre aquilo porque luta: o seu país.

Não admira que este filme tenha tido baixos níveis de venda de bilhetes nos E.U.A., já que é sempre mais fácil e confortável ignorar as questões difíceis e o que nos propõe este filme é abordar uma das questões mais complexas da História Mundial. Mas aqueles que quiserem encarar a questão de frente não ficarão desiludidos quando deixarem a sala de cinema. Por outro lado, para os Europeus este filme terá certamente mais pontos de interesse já que a maior parte do filme é passada na Europa com filmagens belíssimas.

É de destacar as actuações de Eric Bana e de Geofrey Rush, nos papéis de Avner e Ephraim, embora o filme tenha muitos outros pontos de interesse com várias cenas de grande intensidade e beleza cinematográfica e artística, bem como outras excelentes actuações.

Finalmente, uma palavra para a excelente banda sonora que merece ser ouvida com atenção com músicas realmente divinas.

02/02/2006

As 3 dimensões da vida: Passado, Presente e Futuro (É preciso saber viver)


Podemos imaginar a vida em 3 dimensões, um pouco ao estilo cartesiano: Passado, Presente e Futuro. De que forma elas estão presentes na nossa vida? De que forma elas são importantes? O que elas nos indicam e como podemos usar estas medidas a nosso favor em vez de elas estarem contra nós?

Neste início do séc. XXI, verificámos que tudo parece andar cada vez mais depressa em grande parte devido às novas tecnologias. Os carros estão mais rápidos, há mais auto-estradas e há as chamadas auto-estradas da informação, onde a informação pode chegar em segundos ao outro extremo do planeta. Assim sendo, a tendência da evolução do homem através dos tempos parece ter sido sempre em direcção a um mundo cada vez mais rápido. As decisões têm de ser tomadas em cada vez menos tempo e as possibilidades de utilizar o tempo, por outro lado, multiplicam-se resultando num ritmo de vida alucinante. Habituados a esse ritmo, quando de repente a força que nos impele desaparece e subitamente paramos no mundo, nós sentimo-nos atordoados. Não aguentámos e procurámos desesperadamente juntar-nos ao resto do mundo que passa por nós a alta velocidade. Sentimos que nos dão voltas de avanço numa pista infinita. Nessa altura parece que ficamos mais pequenos e sozinhos, e sentimo-nos desamparados. Na tentativa de evitar o inevitável, preferimos acelerar para qualquer lado, seguir qualquer estrada, mesmo com o risco de não saber para onde e poder bater contra um muro, como se não tendo travões tivéssemos de escolher um caminho após o outro sem nunca poder parar.

Assim, o Presente passa diante dos nossos olhos sempre a grande velocidade e a paisagem que vemos no nosso dia-a-dia é constantemente um conjunto de emoções, e apreensões sensoriais como uma paisagem vista da janela de um TGV. Como a velocidade é tão rápida não conseguimos ter tempo de ver os pormenores, tudo nos parece meio desfocado. Apenas nos concedemos a nós próprios uns segundos para olhar à nossa volta, e mesmo esses segundos estão envoltos de pensamentos, ansiedades, preocupações. O resultado é que vivemos um Presente cada vez mais efémero e mais distante da própria realidade e todas as suas perfeições e imperfeições, belezas e problemas.

E o que acontece ao Passado? Se o Presente é uma mistura de paisagens desfocadas, efémeras, então o Passado também é constituído por paisagens desfocadas, sensações e acontecimentos que não sabemos bem o que significam, já que se trata de uma memória do Presente. Porém, temos por índole própria, a necessidade de ver imagens claras. Temos necessidade de completar o incompleto, de focar o desfocado, de forma a tornar o Passado mais claro. Assim como o pintor dá os seus retoques finais numa tela, também nós damos os retoques necessários para finalizar os tons e as definições do Passado. Às vezes, fazemos isto até inconscientemente, e assim ficamos com uma imagem do nosso próprio Passado, independente da realidade do momento vivido, e por isso sofremos indevidamente as consequências. Por raras vezes, num relampejo de lucidez, temos a sabedoria para reconstruir o passado da única maneira que devia ser reconstruído, ou seja, de acordo com a realidade.

E o futuro? Se o presente é cada vez mais efémero, é porque estamos sempre com os olhos postos no futuro, queremos alcançá-lo o mais rapidamente possível. Na verdade pouco ou nada sabemos sobre o futuro, porque é uma ilusão pensar-mos que podemos controlar o futuro, e porque o futuro nos surge com uma imagem ainda mais desfocada do que o passado ou o presente, já que no presente não temos tempo para planear o futuro convenientemente e assim controlar aqueles factores que poderíamos e deveríamos controlar. O futuro, não raras vezes, é o próximo momento presente e esse já está aí à porta porque nos dias de hoje da alta velocidade da tecnologia, da necessidade de produção e resultados rápidos, um momento segue-se ao outro como as gotas de água que jorram de uma fonte, uma atrás da outra sem espaço entre elas.

Então qual a melhor forma de suportar a vertigem e o enjoo que provocam a súbita travagem do presente? Será que as pessoas à nossa volta nos permitem a veleidade de travar um pouco? Será que a sociedade permite travar sem enjoos e sem vertigens? Como sempre, no meio está a virtude. As pessoas mais felizes conseguem acelerações e travagens sem vertigens ou enjoos, conseguem avançar pelo mundo do trabalho a alta velocidade sempre que necessário, mas também sabem parar e apreciar as coisas mais belas da vida, como uma mulher, uma paisagem, uma emoção, um nascimento, um convívio entre amigos, a natureza, a cidade onde vivemos, a felicidade de ajudar os outros, o sol, a neve, a aventura, o conhecimento, o sucesso no trabalho, etc, etc, etc, …. É preciso saber dosear a velocidade da vida. É preciso saber viver o presente. É preciso saber viver.

22/01/2006

Presidenciais 2006: Um Novo Impulso


Começamos o ano de 2006 com um novo Presidente da República. Este facto deve ser revigorante e deve ser um novo impulso para catapultar todos os portugueses, independentemente das suas escolhas políticas, para um ânimo e um esforço renovados para a melhoria da sua qualidade de vida, bem como para o desenvolvimento dos projectos a que todos estamos ligados, e assim contribuir para a melhoria do nosso país. Porque é só dando o melhor de nós próprios em tudo o que fazemos, aplicando trabalho e esforço que podemos atingir aquilo que desjamos.

O que podemos esperar do futuro em virtude dos resultados eleitorais? Pouco, se não os usar-mos como combústivel para fazer a ignição da nossa sede de sucesso e da nossa vontade de o atingir e não o ver simplesmente como uma miragem na TV, nas revistas ou nos jornais na forma de pessoas distantes como José Mourinho. Foi enviada, sem margem para dúvida, uma mensagem de que os portugueses não estão contentes com o actual momento económico e social do país, mas também não me parece provável que este Governo mude as suas políticas unicamente devido aos resultados eleitorais. Nesse sentido, diria que é pouco provável que algo se modifique no espectro económico, político ou social nos próximos meses. Assim, os preços irão continuar a aumentar nos combustíveis, o desemprego manter-se-á alto, e o Estado tenderá a procurar emagrecer os seus custos e o seu déficit pelo que deverá continuar a procurar diminuir o seu número de efectivos.

Por isso, o futuro continua nas mãos dos portugueses e é de ressalvar a sua vontade de mudar, inequívoca nos resultados eleitorais. Essa vontade pode e deve levar o país a ultrapassar as dificuldades actuais. Nesse sentido desejo que o Prof. Cavaco Silva possa incentivar ainda mais os portugueses para grandes feitos. Estou convencido que quando encontrar-mos o caminho para sair da actual crise, estaremos mais fortes como país. O país aprendeu algumas lições que o tornarão com certeza mais forte nas próximas décadas. Estou convicto que muitos não voltarão a cometer os mesmo erros do passado.

18/01/2006

China, EUA ou UE, quem está a consumir a maior fatia de recursos naturais do planeta?

Apesar de os E.U.A. consumirem, desde há muito, a maior fatia dos recursos mundiais, a situação está a mudar rapidamente já que a economia chinesa ultrapassou no consumo de um atrás de outro recurso.
Entre os cinco recursos básicos, comida, energia, e matérias-primas de grande consumo – grãos e carne, petróleo e carvão e aço – o consumo na China já eclipsou o consumo dos E.U.A. em todos excepto o petróleo.
No que diz respeito à União Europeia e a Portugal, os números dos estudos mais actuais da organização ambiental World Wildlife Fund (WWF) referem que a União Europeia (UE) gasta 17% dos recursos naturais mundiais, embora tenha apenas 7% da população. O mesmo estudo chegou a uma conclusão deveras inquietante: indica que o défice ambiental dos 25 países membros da União Europeia atingiu 220% da sua capacidade biológica, tornando os europeus absolutamente dependentes dos recursos do resto do mundo para sustentar o seu consumo.
O mesmo relatório analisa a chamada pegada ecológica dos europeus que compara o uso que se faz da natureza com a sua capacidade de regeneração, e conclui que esta é 2,2 vezes maior do que a sua capacidade biológica própria, um número que aumentou quase 70% desde 1961. Assim, para manter a actual taxa de consumo a Europa teria de ter, pelo menos, o dobro do seu espaço marítimo e terrestre.
A pegada ecológica mede o consumo de recursos em hectares para traduzir o que cada cidadão precisa para produzir a sua alimentação, os materiais para roupas, a produção de energia, absorver a poluição ou os resíduos que gera, nomeadamente. A pegada ecológica global era de 13,5 mil milhões de hectares globais em 2001, o que corresponde a 2,2 hectares globais por pessoa.
Portugal, com 5,2 hectares globais por pessoa apresentava um valor superior à média europeia (4,9), sendo o oitavo país com maior pegada ecológica a nível europeu. Outros países europeus como a Suécia, Finlândia, Estónia, Dinamarca, Irlanda e França usam três a quatro vezes mais do que a média mundial correspondente à capacidade biológica por pessoa.
A procura anual de recursos por parte da humanidade já excedeu a capacidade regenerativa da Terra em mais de 20% e continua a crescer, alerta o documento.
O director do gabinete europeu do WWF, Tony Long, salientou que «o crescimento económico à custa do esgotamento dos recursos naturais e da degradação ambiental, apenas muda o problema para outras partes do mundo».
Fontes: in Diário Digital, LUSA; Earth Policy Institute (http://www.earth-policy.org/); Sociedade Portuguesa de Energia Solar (http://www.spes.pt/)

16/01/2006

Qual é o maior jornal do mundo?

Os maiores jornais do mundo / World's top 100 Newspapers

(Circulação em milhares de cópias diárias)
1 Yomiuri Shimbun Japan 14,067
2 The Asahi Shimbun Japan 12,121
3 Mainichi Shimbun Japan 5,587
4 Nihon Keizai Shimbun Japan 4,635
5 Chunichi Shimbun Japan 4,512
6 Bild Germany 3,867
7 Sankei Shimbun Japan 2,757
8 Canako Xiaoxi (Beijing) China 2,627
9 People’s Daily China 2,509
10 Tokyo Sports Japan 2,425
11 The Sun United Kingdom 2,419
12 The Chosun Ilbo South Korea 2,378
13 USA Today USA 2,310
14 The Wall Street Journal USA 2,107
15 Daily Mail UK 2,093
16 The Joongang Ilbo South Korea 2,084
17 The Dong-A Ilbo South Korea 2,052
18 Nikkan Sports Japan 1,965
19 Hokkaido Shimbun Japan 1,922
20 Dainik Jagran India 1,911
21 Yangtse Evening Post China 1,715
22 Sports Nippon Japan 1,711
23 The Nikkan Gendai Japan 1,686
24 Times of India India 1,680
25 Guangzhou Daily China 1,650
26 The Mirror UK 1,597
27 Yukan Fuji Japan 1,559
28 Shizuoka Shimbun Japan 1,479
29 Nanfang City News (Guangzhou) China 1,410
30 Dainik Bhaskar India 1,405
31 Sankei Sports Japan 1,368
32 Hochi Shimbun Japan 1,354
33 Yangcheng Evening News (Guangzhou) China 1,320
34 Malayala Manorama India 1,309
35 Liberty Times Taiwan 1,300
36 Thai Rath Thailand 1,200
37 New York Times USA 1,121
38 Hindustan Times India 1,108
39 Chutian Metro Daily (Wuhan) China 1,084
40 Gujarat Samachar India 1,051
41 Ananda Bazar Patrika India 1,046
42 Xinmin Evening News (Shanghai) China 1,045
43 Eenadu India 1,039
44 Nishi-Nippon Shimbun Japan 1,025
45 Kronen Zeitung Austria 1,009
46 WAZ Mediengruppe Germany 1,001
47 United Daily News Taiwan 1,000
48 China Times Taiwan 1,000
49 Daily Sports Japan 999
50 The Hindu India 989
51 Hindustan India 957
52 Beijing Evening News China 950
53 Mathrubhumi India 904
54 Los Angeles Times USA 902
55 Information Times China 900
56 Daily News Thailand 900
57 Al-Ahram Egypt 900
58 Peninsula City News China 860
59 Kom Chad Luek Thailand 850
60 Kyoto Shimbun Japan 825
61 Kobe Shimbun Japan 821
62 Punjab Kesari India 817
63 Komsomolskaya Pravda Russia 817
64 Rajasthan Patrika India 804
65 Dahe Newspaper China 796
66 Chugoku Shimbun Japan 789
67 Ouest France France 783
68 Daily Sakai India 783
69 Jang Pakistan 775
70 AJ India 759
71 De Telegraaf The Netherlands 753
72 Qianjiang Evening News China 750
73 Qilu Evening News China 750
74 Nanfang Daily China 750
75 Daily Thanthi India 750
76 Moskovskiy Komsomolets Russia 750
77 Sandesh India 743
78 Daily Express UK 720
79 New York Daily News USA 715
80 The Washington Post USA 708
81 Daily Star UK 705
82 Today Evening News China 699
83 New York Post USA 686
84 Corriere della Sera Italy 677
85 Wuhan Evening News China 660
86 Modern Express China 651
87 Yanzhao Metro Daily China 650
88 Metro Express China 650
89 Zeitungsgruppe Koln Germany 628
90 Kahoku Shimpo Japan 622
91 La Repubblica Italy 622
92 Trud Russia 613
93 Beijing Youth Daily China 606
94 Chicago Tribune USA 601
95 New Express China 600
96 Daily Sunshine China 600
97 Matichon Thailand 600
98 Khao Sod Thailand 600
99 Apple Daily Taiwan 600
100 Min Sheng Pao Taiwan 600

Source
World Press Trends, the World Association of Newspapers, 2005
www.wan-press.org/rubrique75.html
((Note: Newspapers in some countries do not submit their figures to independent Audit Bureaux of Circulation. In these cases, figures are provided by the publishers themselves or other sources and cannot be verified independently. Publication in this list does not imply that WAN endorses these figures).

10/01/2006

O amor é uma droga pesada - Arnaldo Jabor



"O verdadeiro amor é impossível, logo só o amor impossível é o verdadeiro amor. Saí do cinema onde fui ver “2046”, do chinês Wong Kar Wai, pensando nisso. Saí do cinema como de um sonho barroco, manchado, molhado por uma grande massa de cores e sons, de rostos, gestos, mãos, gemidos, dores e gozos. Saí como um drogado, viajando ainda num LSD, uma mescalina da pesada, saí de um milagre alucinado. Vi uma coisa rara: um filme que é o que ele conta. Explico: 2046 seria, no filme, o ano futuro onde tudo seria imutável, lembrado. E agora, quando escrevo, vejo que o tal lugar em 2046 é a própria obra. Entramos neste filme como numa utopia, um lugar úmido, denso, esfumado, chuvoso, cambiante, onde estaríamos no lugar, na terra da paixão. Kar Wai é um grande artista que faz uma súmula de influências do melhor cinema ocidental e realiza um filme híbrido como Hong Kong, oriental para o ocidente, diferente do que esperamos de um filme chinês. E por ele, como pelo primeiro Zhang Ymou, vemos que a cultura erótica chinesa atravessou cinco mil anos incólume, mesmo depois das revoluções maoístas e da China recente dos escravos globalizados. Muito mais sofisticado que europeus e americanos.
É um filme fragmentário sobre o fragmentário das emoções de hoje. Ali estão pedaços de “Blade Runner”, ecos dos Krells do “Planeta proibido” (lembram, cinéfilos?), ali está Jupiter de “2001”, ali estão emblemas e ícones dos filmes noir da Warner, ali está Godard na descontinuidade narrativa, ali estão confusos cacos de Ocidente e Oriente, uma Hong Kong da alma, músicas tropicais, Nat King Cole e ópera, “Siboney” e a “Norma” de Bellini. Que banho... que cineasta admirável!
Em “2046”, tema e matéria se misturam numa massa indissolúvel.
Tudo neste filme é uma exposição da “parcialidade” do erotismo contemporâneo. (Exemplo brasileiro: a bunda substituindo a mulher inteira) A primeira vista parece uma louvação da perversão, do fetichismo, do erotismo das “partes”, do “amor em pedaçõs”. No entanto, Kar Wai está além do fetichismo, além da perversão. Ele retrata (sem teses, claro) a imagerie do erotismo contemporâneo que “esquarteja” o corpo humano. Vejam as artes gráficas, fotos de revistas de arte, como “Photo” (ou em Tarantino), onde tudo é (reparem) decepado, dividido, pés, sapatos, escarpins negros, unhas pintadas, bocas vermelhas, paus, seios, corpos imitando coisas, tudo solto como num abstrato painel. Tudo evoca a impossibilidade saudosa de um “objeto total”, da pessoa inteira..
Uma das marcas do século XXI é o fim da crença na plenitude, na inteireza, seja no sexo, no amor ou na política.
Aí, chega o Kar Wai e, poeticamente, intui esse novo mundo afetivo e sexual.
Kar Wai não sofre por um tempo sem amor, como nos filmes que “acabam mal”, sem happy end . “2046” não lamenta a impossibilidade do amor. Não, ele a celebra. Para Kar Wai (e para muitos de nós), só o parcial é gozoso. Só o parcial nos excita, como a saudade de uma plenitude que não chega nunca. Kar Wai assume essa parcialidade, a incompletude como única possibilidade humana. E acha isso bom. E, num filme romântico, nostálgico e dolente, goza com isso. Nada mais delicioso que o amor impossível. E, como canta o samba, “quem quiser conhecer a plenitude, vai ter de sofrer, vai ter de chorar...”. Ou, “O amor é uma droga pesada”, título de livro de Maria Rita Khel.
Kar Wai nos apresenta a droga pesada do século XXI: a paixão.
Ele é o quê? Um romântico-punk, um pierrô pos-utópico? É por aí... um chinês neurótico dando aula para ocidentais.
O amor em Kar Wai, para ser eterno, tem de ficar eternamente irrealizado. A droga não pode parar de fazer efeito e, para isso, a prise não pode passar. Aí, a dor vem como prazer; a saudade, como misticismo; a parte, como o todo; o instante, como eterno. E, atenção, não falo de masoquismo: falo de um espirito do tempo.
Hoje em dia, não há mais uma explícita, uma clara noção do que seria felicidade, como antigamente. O que é ser feliz? Onde está a felicidade no amor e sexo? No casamento? Em 2046, o ano mítico do filme?
Kar Wai não lamenta o fim da felicidade, mas o saúda. Como diz a musica do Vinicius, “é melhor viver do que ser feliz...”, coisa que muito careta não entende.
Este filme mostra que hoje, sem sabermos com clareza, achamos que é bom ansiar por um gozo desconhecido, é bom sofrer numa metafisica passional, é bom a saudade, a perda, tudo, menos a insuportável felicidade. Assim, o amor vira uma maravilhosa aventura de utopia, uma experiência religiosa, como a fé, que resiste a todos os massacres e terremotos e guerras. Em vez da felicidade, o gozo, o gozo rápido do sexo ou o longo sofrimento gozoso do amor. Como no filme, não há mais felicidade, só as fortes emoções, a deliciosa dor, as lágrimas, hotéis desertos, luzes mortiças, a chuva, o nada.
Como esse filme aponta, o amor hoje é um cultivo da “intensidade” contra a “eternidade”. Toda a cultura do cinema tende para a idéia de redenção, esperança, mas “2046” não lamenta o fim do happy end . Não. É bom que acabe esta mentira do idealismo romântico americano, para animar o otimismo familiar e produtivo, pois na verdade tudo acaba mal na vida. Não se chega a lugar nenhum porque não há aonde chegar.
Tudo bem buscarmos paz e sossego, tudo bem nos contentarmos com o calmo amor, com um “agapê”, uma doce amizade dolorida e nostálgica do tesão, tudo bem... Mas a chama da droga pesada amor só vem com o impalpável. E isso é bom. Temos que acabar com a idéia de felicidade fácil. Enquanto sonharmos com a plenitude, seremos infelizes. Só o amor impossível nos põe em contato com um arco-íris de sentimentos desconhecidos. A felicidade não é sair do mundo, como privilegiados seres, como estrelas de cinema, mas é entrar em contato com a trágica substância de tudo, com o não-sentido, das galáxias até o orgasmo.
E tem mais... este artigo não é pessimista. Temos de ser felizes sem esperanças."

Texto de Arnaldo Jabor retirado de http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/jabor.asp

Recomendo ainda que ouçam as crónicas em http://radioclick.globo.com/cbn/comentarios/arnaldojabor.asp

09/01/2006

PRESIDENCIAIS 2006: A dificuldade da esquerda no contexto económico actual




É indiscutível a dificuldade da esquerda em lutar contra o único candidato da direita nestas presidenciais. Aliás não há memória de uma tão grande dificuldade e de uma tão grande diferença percentual entre o primeiro candidato da esquerda e o candidato da direita. Os políticos e os média têm tendência a fazer-nos pensar que isso se deve mais aos próprios candidatos e aos partidos do que às suas ideologias, porque aliás os partidos e os candidatos pouco as discutem (muitas vezes "camuflados" pelo que dizem que deve ser o papel do presidente da república que é ficar de boca fechada em vários assuntos). Mas será só isso?

No actual contexto económico, qual é o valor primordial? O crescimento económico. Só depois aparecem o desemprego, a competitividade das empresas, e outros que todos conhecemos. Ora, vários países nos demonstram que actualmente o crescimento económico não está directamente ligado ao aumento de empregos. Pelo contrário, não raras vezes o crescimento económico acontece porque as empresas obtiveram mais lucros através do short-sizing, ou seja diminuição do seu número de colaboradores. Recentemente temos assistido, ainda de ano para ano, em Portugal a aumentos salariais manifestamente baixos em relação à inflação o que também favorece as empresas. O que acontece por consequência é que o poder de compra dos portugueses, bem como a sua qualidade de vida diminui. Surge a loucura dos preços baixos e de fraca qualidade. Tudo para que os lucros e a competitividadede das empresas seja forte e por consequência haja crescimento económico. Só que com o desemprego vem maiores gastos do Estado. E o Estado sofre com as suas próprias políticas.

Mas o que vêem os portugueses e os cidadãos do mundo de uma forma geral? Que os últimos contra quem é sensato revoltarem-se são os patrões. Porque para os patrões é simples...despede-se um e contrata-se outro. Aliás o mercado está óptimo para quem contrata (pior para quem procura emprego).

Aí está a dificuldade da ideologia de esquerda que está gasta desde há muito porque o comunismo e o socialismo parecem ter resultado unicamente em mais despedimentos, por haver maiores gastos com o bem-estar social, segurança social, subsídios de desemprego, subsídios de férias, 13os meses, etc. Ou seja, a esquerda não dá mais esperança aos cidadãos do mundo e eles voltam-se à direita desiludidos. O discurso de direita pelo contrtário, cola-se aqueles que têm muito dinheiro, os empresários de sucesso, e outros profissionais de sucesso e parece querer dizer ao povo que o povo tem todas as possibilidades de deixar de ser povo e passar a ser tambem um profissional rico e de sucesso. E isso dá mais esperança actualmente do que a ideologia de esquerda. Por isso actualente em condições normais, a direita vence a esquerda na Europa, salvo qualquer caso de enorme descontentamento com as caras que formam a direita como foi o caso de Santana Lopes.

A grande questão que se coloca é: Será possível reinventar a esquerda e fazer crescer o nível dos salários e a qualidade de vida das pessoas ao mesmo tempo que as empresas se tornam mais competitivas e aumentam os seus lucros?" Pelo menos, na Escandinávia parece que é possível...

20/12/2005

16/12/2005

PRESIDENCIAIS 2006: Acerca da ideia do candidato a Presidente da República não dever pronunciar-se sobre certos assuntos

As próximas eleições presidenciais apresentam vários pontos de interesse. Do ponto de vista político, a grande questão destas eleições é se um deputado, entrando nas eleições contra o próprio partido, o consegue vencer. Na verdade, se se confirmarem os números de recentes sondagens, Manuel Alegre tem boas hipóteses de passar à segunda volta e nessa altura o PS seria provavelmente forçado a apoiá-lo nessa segunda volta, o que seria um cenário catastrófico para o partido socialista. Por isso começam a surgir os apelos para uma esquerda unida em torno de Mário Soares, embora se saiba que se desaparecerem alternativas na esquerda, algum eleitorado de esquerda poderá ficar em casa no dia das eleições por desinteresse, facilitando a vitória de Cavaco Silva na primeira volta. De qualquer forma se o partido socialista tivesse optado por apoiar Manuel Alegre desde o início teria a tarefa de ganhar estas eleições bem mais facilitada, já que a segunda volta estaria practicamente assegurada.

Mas julgo que o melhor a fazer como eleitor é alhear-me desses problemas do partido socialista, e o mesmo deveria procurar fazer a comunicação social. Não para benefício do referido partido, mas para benefício do país e da sua população. Eu, como eleitor devo preocupar-me mais com o meu futuro e menos com os problemas internos dos partidos. Julgo que como eleitor devo procurar eleger para Presidente da República um candidato que melhor me represente como soberano do país, ou seja que devo procurar um candidato que cujas linhas mestras de orientação do seu pensamento sejam também as minhas. Para isso é preciso haver aqueles momentos em que os candidatos exprimam abertamente as suas ideias e não se refugiem na ideia de que como candidatos a Presidente da República se devem abster de o fazer. Até porque se insistirem em dizer que não se devem pronunciar sobre este ou aquele assunto realmente os portugueses estarão a passar cheques em branco aos candidatos com os seus votos, e os últimos cheques em branco têm sido extremamente custosos aos portugueses.

O dilema na escolha do melhor candidato aumenta quando para além de não se pronunciarem sobre este ou aquele assunto, abordam assuntos de forma demagógica, ou simplesmente para ganho fácil de votos. Por isso julgo que é o dever do povo português de penalizar precisamente estas practicas, não entregando assim o seu voto a quem não se mostrar seguro e confiante o suficiente para abordar os assuntos de frente, mostrando abertamente o que pensa sobre os assuntos-chave, sem evitar matérias. Mais do que nunca precisamos de políticos proactivos e não de políticos que escondam aquilo que pensam sobre as matérias mais importantes simplesmente para as conversas de bastidores. Queremos, temos o direito e precisamos de saber aquilo que os candidatos pensam.

10/12/2005

Serão os Romanos os culpados da crise e da decadência europeia?

Estoicismo e Epicurismo são considerados os dois movimentos filosóficos mais importantes dos tempos da Civilização Romana. Será que após tantos séculos ainda existem reminiscências destes movimentos filosóficos nas actuais civilizações europeias? Concerteza que sim. Atentemos na actual crise que a Europa atravessa e encontraremos no Epicurismo e no Estoicismo iluminação para entender uma parte das causas e uma parte das razões pelas quais demoram os europeus tanto tempo para ultrapassar a crise.
Os Europeus são desde sempre na História do mundo, os mais ostentadores, os que mais procuram o conforto e os prazeres da vida. Os melhores vinhos, os melhores chocolates, os melhores alimentos, as melhores refeições, assim como as maiores benesses do sistema social para desempregados, reformados e outros. Preconizam, ou melhor, preconizavam até à chegada da crise, idade de reforma cada vez mais baixa, subsídios de desemprego mais chorudos, e cada vez menos horas de trabalho, aspecto no qual a França foi claramente longe de mais e teve de rever o seu precoce avanço. O problema é que o prazer não produz riqueza nem para as pessoas nem para as nações e assim não pode haver o tão procurado nos dias de hoje, o crescimento económico.
Mas se por um lado, é no Epicurismo que encontramos algumas das causas da crise europeia, é no Estoicismo que encontramos a dificuldade para ultrapassá-la. Pois então, não é o Estoicismo que nos leva à resignação e aceitação passiva das dificuldades e angústias da vida? Não é o Estoicismo que nos leva a ficar de braços cruzados e procurar simplesmente o melhor abrigo até que a tormenta passe e que aceitemos as feridas como parte incontornável da vida que só nos compete aceitar?
Serão os Romanos os culpados desta actual crise Europeia e do futuro sombrio que se prevê para as civilizações actualmente mais epicuristas e mais estoicistas? É óbvio que não. Os culpados são os que ainda cultivam estes movimentos filosóficos nos dias de hoje e se esquecem de aproveitar as tempestades para saberem que é tempo de mudar as suas mentes e as suas filosofias. Este malefício atinge principalmente os países mediterrânicos e o único que parece ter encontrado um nova forma de pensar e de viver parece ter sido o povo espanhol que saiu do abrigo e foi encarar a tempestade de frente até a vencer. Portugal, França e Itália esperam que a tormenta passe nos seus abrigos aguentando a crise com enorme estoicismo, do qual se diria, parecem até orgulhar-se. Mas será que a tormenta não vai deixar danos irreparáveis aos mais estoicistas??

03/12/2005

A língua mais falada do Mundo: o Mandarim



O Mandarim é a língua mais falada do planeta, sendo falado por cerca de 870 milhões de pessoas como primeira linguagem, enquanto outros 180 milhões falam a língua como segunda língua. O número total de pessoas a falar Mandarim cifra-se em mais de 1 bilião, o dobro do número de pessoas que falam inglês. O Mandarim é uma das cinco línguas oficiais utlisadas pelas Nações Unidas e é língua oficial da China continental, Singapura e Taiwan.

Estudos recente mostram que cerca de 53% da população total chinesa (1,3 biliões) podem comunicar entre si através do Mandarim. Dois terços dos habitantes das cidades chinesas falam Mandarim, 21% a mais do que nas áreas rurais. O número de fluentes em Mandarim diminui quando a idade aumenta, sendo que mais de dois terços das pessoas entre 15 e 29 e menos de um terço entre 60 e 69 sabem falar a língua.

A educação também ajuda a diminuir as barreiras linguísticas. Só 10% dos chineses que nunca foram à Escola falam Mandarim enquanto que a proporção sobe para 87% para aqueles com pelo menos 2 anos de liceu.

O Mandarim, conhecido na China como "putonghua" ou "língua comum", foi considerado a pronúncia standard da língua chinesa há mais de cinquenta anos.

Um estudo recente mostra que 86% da população chinesa fala dialectos regionais e perto de 5% usam linguagens das 55 minorias étnicas para comunicar. O uso de dialectos é mais comum entre famílias chinesas, enquanto nos escritórios as pessoas tendem a comunicar em Mandarim mais frequentemente.

01/12/2005

Sobre Arte e a Exposição de Pintura "Por favor não matem o Mondrian!"


“Por favor não matem Mondrian, é um apelo à sensibilidade e à beleza da cor. Através do jogo mágico de cores, pretendo que o público encare a minha pintura no seu aspecto mais puro e mais simples, pois pretendo despertar apenas e só os sentidos do ser humano. Desligue o cérebro que não pára de cada vez que você entra numa exposição de pintura e que o faz procurar entender a pintura através da razão do pintor em vez de procurar a beleza da pintura por si próprio e pelos seus sentidos! Desligue o cérebro e aguçe os seus sentidos ! Se fizer isso verá que vai saber entender as telas. Só que o seu entendimento, e aquilo que vê na tela será diferente de quem está ao seu lado. Não se preocupe, esse é o objectivo da arte. A arte não se impõe. As telas devem ser apreciadas pelas suas cores e não por uma tentativa de representação de alguma realidade física ou de algum sentimento em particular. A única preocupação que tive foi diversificar tanto quanto possível os jogos de cores envolvendo as cores mais significativas do mundo em que vivemos, para assim diversificar o leque de possíveis impactos diferentes em cada pessoa. Para mim cada cor é como uma nota musical e cada cor tem o seu valor emocional. O amarelo é o sol, o calor, a areia da praia; o vermelho é o sangue, o amor, o bater do coração; o azul é o céu que nos envolve; o branco é um pedaço de núvem; o verde é a floresta, as plantas; o preto é o escuro, a ausência de cor, a noite. Finalmente para os que se perguntam ainda o porquê do título, para os que procuram sempre uma razão racional para as coisas, o título é uma forma de apelo ao público para que saiba encontrar a beleza através da utilização dos seus sentidos, desligando por vezes, o cérebro que nos inibe a apreciar a beleza das coisas simples e bonitas da vida.” Exposição patente na Doçaria Mário em Amarante.

28/11/2005

"Flashes"

Momento para reflectir....

A Vida e o Amor
Autoria: Francois de Bitencourt

Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado.Às vezes nos falta esperança, mas alguém aparece para nos confortar.Às vezes o amor nos machuca profundamente,e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar,tanto quanto precisamos respirar, é nossa razão de existir.Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida,e se torna o nosso destino.Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas,e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver,até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um por do sol,a magnitude de uma noite estrelada,a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto,é a força da natureza nos chamando para a vida.Você descobre que as pessoas que pareciam ser sincerase receberam sua confiança, te traíram sem qualquer piedade.Percebe que não há como distinguir os bons e os maus,pois poucos nascem assim, a vida é que os torna melhores ou piores,pelas tristezas e felicidades que passaram e experiências vivenciadas.É como se a vida fosse formada por corações e cruzes,onde os corações representam nossos momentos felizes,o carinho e amor que recebemos, e as cruzes são nossas dores,decepções, sofrimentos, momentos ruins pelos quais passamos.Então você poderá entender que alguns de nós vivenciarampouquíssimas cruzes e muitos corações o que fará com queessas pessoas tenham muito mais amor a transmitir,outras passaram pelo contrário e são predominantemente frias, insensíveis,buscam coisas materiais, acreditam que os fins justificam os meios,com essas é preciso ter cuidado, alguns podem mudar e melhorar,outros podem mudar você e trazê-lo para a realidade deles.Assim ao conhecer alguém preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu.Não deixe de acreditar no amor, mas certifique-se de estar entregandoseu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá,manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam,esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo,pois se essa pessoa te deixar, então nada irá lhe restar.Aproveite ao máximo seus momentos de felicidade,quando menos esperamos iniciam-se períodos difíceis em nossas vidas.Tenha sempre em mente que às vezes tentar salvar um relacionamento,manter um grande amor, pode ter um preço muito altose esse sentimento não for recíproco, pois em algum outro momentoessa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será ainda mais intenso,do que teria sido no passado.Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário,existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo.Não procure querer conhecer seu futuro antes da hora,nem exagere em seu sofrimento,esperar é dar uma chance à vida para que elacoloque a pessoa certa em seu caminho.A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna.A felicidade pode demorar a chegar,mas o importante é que ela venha para ficare não esteja apenas de passagem, como acontececom muitas pessoas que cruzam nosso caminho.
© Gonçalo Coelho