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13/08/2008

A falsa cantora na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim

Uma cantou e a outra é que apareceu perante as câmaras porque, para que a cerimónia fosse perfeita, era preciso que a voz nas imagens viesse de uma criança bela e mais fotogénica. A imagem da cantora original não foi considerada adequada para um evento de tão grande importância.

É imperioso demonstrar-se que "as nossas crianças" são todas belas e perfeitas. E atenção, isto não me parece que seja problema único da China. Os países querem mostrar ridiculamente, nas cerimónias oficiais, que só têm caras e corpos perfeitos porque é, claro, vivemos num mundo que prefere comer as maçãs mais enceradas e não as mais saborosas. Até as crianças convém que nasçam "enceradas". O problema é que este não é um mundo perfeito, é um mundo com defeitos e, se rejeitarmos o defeito, estaremos a rejeitar-nos a nós próprios como seres humanos, cuja essência é sermos carregados de defeitos.

30/07/2008

O véu (crónica de 22/07/2008)

A Turquia, país onde o embate civilizacional é grande e onde Estado e religião se encontram separados desde os tempos de Ataturk é, provavelmente, o país onde Este e Oeste do mundo terão de dar a primeira grande prova a todo o mundo de que podem conviver lado a lado debaixo de uma única identidade nacional moderada e própsera. Dito isto, uma grande parte dos turcos moderados, receia acima de tudo que algum dia se possa regressar aos dias do Império Otomano ou a qualquer tipo de estrutura civilizacional que se pareça ou incline minimamente para os extremos de países como a Arábia Saudita ou o Irão onde, por exemplo, qualquer mulher que saia à rua tem está obrigada a vestir a burqa ou o véu, tudo depende se quer ou não cobrir também os olhos. No âmbito das suas múltiplas reformas, Ataturk alterou a face do país e o véu foi visto como um obstáculo à secularização e à modernização. Hoje em dia, véus e burqas não são perimitidos em locais públicos na Turquia como univesidades ou tribunais, de modo a impedir impreterivelmente o regresso aos anos do islão obscuro. Em 1998, foi banida uma estudante turca da Universidade de Istanbul precisamente porque os usou. Em 2000, há o caso de outra estudante condenada a seis meses de prisão por “obstruir a educação dos outros” ao ter usado véu nos exames finais. Já no decorrer deste ano de 2008, o parlamento turco passou uma emenda à constituição que permitia a utilização de véus nas universidades com o argumento de que muitas mulheres estariam a fugir às universidades. Meses depois, o Tribunal Constitucional da Turquia deu voz aos muitos turcos que se haviam demonstrado contra a emenda e, com base na necessidade suprema de laicização, o dito tribunal retirou a emenda.

Entretanto, na Bélgica, os municípios são livres de impôr a proibição, vários baniram já o uso das burqas e véus ou decidiram cobrar multa a quem os use. O argumento aí é o de que a referida peça de vestuário causa insegurança e intimidação nas ruas ao encobrir e impossibilitar a total visão do rosto da pessoa. Já em França, os argumentos que levam à proibição são que deve ser preservado o valor da laicização e também de que as burqas e véus são símbolos de subserviência das mulheres não coincidentes com a cultura francesa. Enquanto a polémica avança, a vaga parece crescer no sentido da proibição da utilização de véus em locais públicos por toda a Europa e, não seria de admirar que também a Portugal chegasse essa proibição, tal como chegou a de fumar ou a despenalização do aborto. Como sempre, o nosso bloco central apoiará o que se fôr fazendo por toda a Europa e quem discordar será um radical, tendo que contar apenas com o apoio do Bloco de Esquerda. No entanto, aqui fica desde já um relato engraçado que encontrei de uma norte-americana que afirma ter adorado a obrigatoriedade de usar o véu na Arábia Saudita sempre que saía de casa. Diz que andando toda coberta da cabeça aos pés se sentia mais igual às demais e sentia que, finalmente, a sua carreira profissional deixava de assentar, fosse o que fosse, nos seus atributos físicos como acontece nas sociedades Ocidentais.

09/07/2008

Crónicas do Janeiro - Cegueira

( Crónica desta terça no Primeiro de Janeiro e agora, lida também aos Domingos à noite, na Algarve FM, no programa Lusitânia Expresso, agradecimentos ao António Murtosa )
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Para efeitos únicos desta crónica e correndo o risco de nesta premissa inicial ser pouco original, imagine o leitor que, a certa altura, no nosso país, surgiu uma epidemia de cegueira, epidemia esta que, um pouco à imagem da metáfora de Saramago (Ensaio sobre a Cegueira), consiste numa escolha de valores e de regras de vida que levem a ignorar toda a dimensão humana do outro com quem nos cruzamos diariamente, a ignorar o valor da meritocracria, o valor de dar sempre uma oportunidade a todos, o valor da existência de regras em sociedade, o valor da justiça, da solidariedade, e tantos outros que têm de existir lado a lado com a iniciativa e com a ambição de conseguir mais e melhor para si e para todos à volta, sendo que uns têm de temperar os outros para que as rodas da sociedade nos levem a algum lado em vez de simplesmente atropelar e trocidar a maioria. Claro, tudo isto cai por terra quando o primeiro descobre que, subvertendo apenas alguns destes valores, a sua vida progride enormemente ao contrário da dos outros. Uma corrupçãozinha, um favorzinho, um pequeno tráfico de influências, um ganho de audiência à custa da desgraça ou da futilidade alheia, enfim, um belo salto na carreira ou na fortuna, cometendo-se apenas um pequeno delito que não fará mal a ninguém. É talvez aí que se aloja e começa a progredir o vírus da cegueira, como o fungo na humidade. Ou talvez comece antes a cegueira, quando nos batem nos olhos, desde crianças, imagens dos telejornais, plenas de uma realidade cruel, repletas de gente que sofre: pessoas a morrer à fome em estado lastimável, guerras em directo assistidas a partir do sofá como se de partidas de futebol se tratassem, milhares de pessoas a chorar e a lamentar incêndios nas suas casas, ou terremotos, ou familiares mortos nos acidentes de viação ou de comboio, ou atentados à bomba que vitimam outros milhares todos os anos, em nome desta ou daquela causa que para nós nunca valeu nada. Talvez seja aí que começamos a ser “cegados”, a habituar-nos a ver e a não reparar, a ignorar o interior dos outros, porque realmente perante a evidência nua e crua das televisões nada podemos fazer para ajudar quem está do outro lado do écran. Da habituação ao sofrimento nos telejornais à habituação à realidade das ruas, diante dos nossos olhos, vai um curto passo. O seguinte é ignorar os concidadãos, os vizinhos, os familiares. Passa depois por ignorar o lado interior humano de todos e cada um de nós trocando o que somos por uma imagem mental que lhe toma o lugar e na qual constam alguns items de maior importância, a saber, salário estimado, marca e modelo do carro, casa onde mora, roupa que veste, título profissional, e, por fim, a quantidade de músculos, de curvas ou de gordura no corpo. Esta cegueira não é negra, é colorida, como o mar de leite da imaginação de Saramago onde as cores se fundem numa única que cega: os reclames, as revistas, as TVs, as marcas, os slogans, todos os produtos, todos os preços e, consequentemente, as nossas frustrações ou prazeres consoante aquilo que o dinheiro nos comprar. Certamente não faltará quem diga que é desta cegueira que emanam todos os problemas do nosso Portugal. E, dirão, se o problema não é maior é porque há quem não esteja cego, dê o braço e ajude a guiar os demais cegos ao seu caminho porque lá diz Saramago que há uma coisa chamada “a responsabilidade de ter olhos quando outros os perderam”.

07/07/2008

Eterna subserviência à UE?

Estamos em crise e uma parte dela são factores externos à Governação. Um deles é a supra-Governação europeia com a sua Política Agrícola Comum, o Pacto de Estabilidade e Crescimento que limita o déficit a 3% e os seus juros cada vez mais altos. No entanto, o nosso Governo actual nada reivindica, a nada se opõe que venha de Bruxelas, pelo contrário empresta até o nome de Lisboa ao Tratado mais recente do qual é um grande entusiasta. Aparentemente, em troca dos subsídios que recebemos, calaremos para sempre tudo o resto que de mal nos façam de Bruxelas e seremos sempre bem comportados e subservientes. União Europeia. O nome diz tudo, união não significa jurar eterna subserviência e bom comportamento. D. Afonso Henriques deve dar voltas no túmulo. Tanto trabalho para nunca mais depender de ninguém e agora, se as coisas continuam a evoluir neste sentido...

24/06/2008

Crónicas do Janeiro - Chegou oficialmente o Verão

E, este ano, foi preciso ser oficial para que ele realmente se materializasse no nosso clima. Paralelamente ao aumento da temperatura do ar, aconteceu que Portugal abandonou o Euro 2008 às mãos da sempre eficiente, metódica e trabalhadora Alemanha, um valente duche de água fria que poderá ser muito conveniente num dia quente de Verão mas nem por isso foi menos desagradável, como nunca o é, uma derrota da nossa selecção. Ainda assim, o duche não conseguiu acalmar todas as almas do nosso país, seria preciso talvez que fosse mais gelado, ou mais a água, sugestão essa que certamente chocaria os ambientalistas sempre muito atentos a estas coisas. A prova de que nem todos os ânimos se retemperaram é que o auto-carro que havia levado a comitiva portista a Lisboa, para disputar um jogo do campeonato nacional de hóquei, foi criminosamente incendiado, num jogo em que o FC Porto ganhou e acabou por se sagrar de novo campeão, pela sétima vez consecutiva. Assim vão os ânimos nacionais, de um lado o muito quente do outro o muito frio, principalmente se matérias relacionadas com o desporto nacional estão em questão. Enquanto isso, se os camionistas e a subida dos preços do petróleo o permitirem, os nossos governantes poderão folgar um pouco as costas e, assim, em breve, estarão também eles a fazer férias por aí, assim como os nossos desportistas, seja em Manchester ou em Madrid.Enquanto isso, num blogue que costumo visitar com frequência, da jornalista Miriam Leitão do periódico brasileiro “O Globo”, verifiquei que na China, apesar do intenso crescimento económico do país nos últimos anos, vem aumentado a desigualdade entre ricos e pobres, conforme apontam recentes pesquisas. Tirando alguns países europeus e, principalmente, os escandinavos, o tão aclamado crescimento económico arrasta muitas vezes consigo um simultâneo aumento das desigualdades sociais, dependendo do modelo de crescimento em causa. Segundo os especialistas que estudaram o assunto, o vem gerando desigualdade na distribuição de riqueza na China é o facto do modelo de crescimento económico ter sido rápido e concentrado em alguns sectores e regiões. As áreas da costa têm sido continuamente beneficiadas, seja com investimento público, seja com investimento externo, havendo também uma forte cisão entre o campo e a cidade. Por outras palavras, enquanto o modelo de crescimento de um país for rápido e concentrado em alguns sectores e regiões, a tendência é a desigualdade crescer. Haverá melhor exemplo do que Portugal nesta matéria? Quantas e quantas estatísticas teremos de ler que nos indicam sempre que a região de Lisboa e Vale do Tejo é a única em Portugal que se destaca do resto do país a nível económico e social, situando-se dentro da média europeia a 15, quando o resto do país está muito abaixo desse patamar? Está perfeitamente estudado e amplamente divulgado, a equação em causa é: desenvolvimento concentrado em certos sectores e certas regiões igual a desigualdade. Então porque é que se continua a priveligiar sempre as mesmas regiões, há tantos anos, e sempre os mesmo sectores? Para onde caminha o país se o nosso modelo de crescimento continuar a ser Lisboa e a construção? Acho que já todos sabemos.

* Retirado a partir de: http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=9bf31c7ff062936a96d3c8bd1f8f2ff3&subsec=&id=8bc4b7e0c67590e482249d5253dc66aa

10/06/2008

Sentimento comunitário adormecido (minha crónica desta terça no Janeiro)

Esta semana, um amigo de longa data que havia regressado de uma breve estadia em Cuba, contava-me o que presenciara naquele país quanto à atitude dos locais. Disse-me, sabendo que morei alguns anos no Brasil: “Eles [os Cubanos] são ainda mais simpáticos que os brasileiros!”. Secundou esta frase afirmando referir-se à enorme dimensão da prática da solidariedade entre eles. Disse-me que amigos de ocasião lhe quiseram emprestar dinheiro para entrar numa discoteca, alegando que dividiriam o custo entre eles se necessário fosse. Dando outro exemplo, contou como para telefonar vários cubanos se dirigiam a casa de um vizinho de referência que, generosamente, permitia que partilhassem o seu telefone na vizinhança. Quem, dos leitores desta crónica, já tiver ido a Cuba, provavelmente poderá comprovar estas vivências. Pela minha parte, respondi ao meu bom amigo que, no Brasil, testemunhei os dois lados desta medalha: uma realidade digamos “cubana” e outra mais semelhante ao que vejo em Portugal e em grande parte da Europa, ou seja, a individualidade a tomar conta da sociedade. Pessoas que gostam de impôr a sua individualidade aos demais, através da ostentação de riqueza, da fama ou do estatuto, frequentando este ou aquele espaço como forma de diferenciação, recusando ajudas e recusando-se a dá-las. Navegando no mar destes raciocínios, evoquei a pequena cidade de São Bento do Sul, no Estado de Santa Catarina, cidade onde vivi e que ficará para sempre no meu coração, situada no coração de um Brasil de forte influência germânica. Na altura discutia-se o referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições que acabou por ter lugar em Outubro de 2005. Em São Bento do Sul, a generalidade das opiniões que ouvi eram contra a proibição. Porquê? Porque a cidade ficaria então entregue unicamente à mercê da polícia, quando os habitantes pretendiam também eles próprios cuidar da sua segurança e não depender unicamente das forças policiais. O sentimento comunitário falava nitidamente mais alto. A verdade é que, naquela cidade, raramente acontecia algum crime ou assalto que merecesse figurar em páginas de jornal mas, se algo acontecia, vários habitantes estavam dispostos a pegar nas suas armas e a perseguir os bandidos. A comunidade organizava-se e defendia-se. Será interessante saber que essa cidade de cerca de 50,000 habitantes, é das mais pacatas do Brasil e assim acontece ao longo de toda aquela região de influência germânica. Recordo-me de haver uma outra cidade, chamada Pomerode, que não possuía sequer (não sei se agora possui) uma delegacia de polícia por não registar ocorrências suficientes.São apenas exemplos mas a verdade é que uma sociedade, um país, uma cidade, um bairro ou uma equipa de futebol empobrecem enormemente quando desaparece a sua mentalidade colectiva e entregam-se muito mais à mercê do seu contexto externo. Hoje em dia, poucos em Portugal pertencerão a um grupo do seu bairro ou da sua cidade. O resultado está à vista a começar pela maior sujeira, menor segurança e falta de alegria dos nossos bairros e das nossas cidades. O individualismo e a ideia de que basta olhar para nós e para a nossa família e esquecer a comunidade em que estamos inseridos empobrece todo o país. Esperemos que isso possa mudar e que as pessoas se juntem com mais frequência para fazer coisas boas em conjunto.

16/04/2008

O pão e o petróleo (Crónica)

"Já há muito que conhecemos e lidamos com a escalada do preço do petróleo que ameaça mudar o mundo como o conhecemos. Perante essa realidade, cidadãos e empresas adaptam-se aos novos tempos. Racionaliza-se mais do que nunca a utilização do automóvel. Pesquisa-se exaustivamente novas formas de energia renováveis e ecológicas, bem como o seu contínuo aperfeiçoamento. Começamos, lentamente, a preparar o dia em que o petróleo se esgotará..."

A minha crónica completa desta semana no Janeiro pode ser lida em:
http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=9bf31c7ff062936a96d3c8bd1f8f2ff3&subsec=&id=0f8bed0119ad1b4c7f8b55e1308d66c0

01/04/2008

Os perigos da realpolitik

"Como este mundo dá voltas...Ainda há escassos meses atrás, o Primeiro-Ministro Britânico Gordon Brown procurava boicotar a Cimeira UE – África com base na ideia de que o Zimbabué não respeitava os Direitos Humanos. Tratava-se de uma cimeira em território neutro com vários líderes políticos europeus e africanos entre os quais o Sr. Mugabe. Agora, é o mesmo Gordon Brown que afirma ter intenção de estar presente na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Isto, numa altura em que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy parecem estar em sintonia quanto a uma maior pressão sobre o regime chinês, dando a entender que não planeiam estar presentes na cerimónia de abertura do maior evento desportivo do planeta."

* O meu artigo desta terça no Janeiro pode ser na íntegra aqui.

20/02/2008

Lisboa, resto do Litoral e depois Interior

A minha última crónica:

Para não me cingir apenas ao que os olhos me transmitem como evidência, aqui vão as mais recentes estatísticas e conclusões do INE, relativas ao ano de 2005:“em 2005, apenas Lisboa superava a média europeia do PIB per capita, no caso da UE27 (em 6%), e praticamente a igualava, no que se refere à UE15. Seguiam-se a Região Autónoma da Madeira, o Algarve, o Alentejo, a Região Autónoma dos Açores, o Centro e o Norte, com PIB por habitante respectivamente 5%, 20%, 30%, 33%, 36% e 40% abaixo da média da UE27, apresentando o conjunto do país um valor 25% inferior a essa média.”

in Contas Regionais 2005 (Destaque, INE, 25/01/2008)

06/02/2008

As declarações do bastonário

A minha habitual coluna quinzenal no Janeiro.

P1

Refiro-me ao impresso do Sistema Nacional de Saúde português. Porque é que é tão complicado obter um P1? Vai-se ao médico do hospital e recebe-se uma carta, vai-se ao médico da clínica onde fazemos o tratamento ao abrigo do SNS e recebe-se outra carta, ambas destinadas a um terceiro médico do Centro de Saúde mais próximo da nossa residência. Depois é necessária audiência com um terceiro médico do serviço de saúde que só atende de manhã. "Apareça de manhã cedo para ser atendido ou terei de lhe marcar consulta [para daqui a 2 ou 3 meses no mínimo]. Tudo isto por um impresso que devia poder ser passado por um único médico, ou seja, aquele que nos observa. Será que ainda ninguém no Ministério da Saúde se deu conta do ridículo desta saga dos P1s? Como diz o Bastonário da Ordem dos Advogados: "Vamos ser sérios!!"

23/01/2008

O mundo editorial nacional

A minha crónica de ontem no Primeiro de Janeiro:
"O mundo editorial nacional fervilha e passa pelo mesmo crivo que afecta revistas, jornais e canais televisivos ao mesmo tempo que nascem grandes grupos editoriais como nunca houve. Neste contexto..." - o resto do artigo encontra-se aqui.

14/01/2008

Sobre o Abrupto, Pacheco Pereira e o ataque à independência de opinião

Não devemos confundir pessimismo com independência de opinião. Não é preciso (nem nunca será) ser-se um pessimista convicto ou um Velho do Restelo para se ser mais independente. É que quem lê o artigo de Pacheco Pereira no seu blog pode pensar que, hoje em dia, ser pessimista é que é ser independente de opinião, enquanto que ser optimista ou confiante em relação a algo do futuro de Portugal é ser um mero apoiante ou até alguém facilmente domado pelo Governo.
Isto seria um panorama terrivelmente redutor da opinião pública nacional. Como, de uma forma geral, todos gostam de mostrar que são independentes no que pensam, teríamos apenas opiniões pessimistas no país. Isto seria um panorama extremamente parcial da opinião pública. Sei que Pacheco Pereira não pretende este panorama, por isso escrevo este pequeno artigo.
Pessimismo é estado de espírito, não é (nem nunca será) sinónimo de maior ou menor independência de opinião. Seria ridículo que no nosso país, algum dia, só os pessmistas fossem considerados independentes de opinião.
A título de reflexão, veja-se o extracto de uma opinião de Vasco Pulido Valente:
"Entretanto, o país cai, o pessimismo dos portugueses cresce e a economia está praticamente em coma. O ano de 2008 vai ser mau e, provavelmente, péssimo. O cidadão comum sabe que depende do preço do petróleo e do que suceder na América e em Espanha. A insegurança é grande.(...)"
Aqui temos transcrita uma opinião tipicamente pessimista mas, será isto algum pedaço notável de independência de opinião? Não será esta exactamente a mesma opinião que têm todos os partidos da oposição? E que mal tem isso se é o que Vasco Pulido Valente pensa?
Pessoalmente, acho que o importante é escrever de acordo com o que pensamos e acreditamos e não sermos forçados a ser pessimistas ou optimistas para demonstrar ter maior independência de opinião.

Mário Crespo sobre a Lusoponte

"Há cinco anos a Lusoponte esteve sob a atenção do Tribunal de Contas que auditou o acordo com o Estado. As conclusões foram arrasadoras. O relatório atestava uma degradação de "boas práticas" a tal ponto que um dos Juízes, o Conselheiro Ernesto Cunha fez uma declaração de voto onde concluía que havia indícios inequívocos de "desequilíbrio financeiro a favor da concessionária Lusoponte" que se traduziam num "prejuízo global para o erário público". Na sua conclusão o Juiz Ernesto Cunha admoestava com firmeza os governantes que tinham negociado tal acordo - considerando-os "passíveis de juízo público de censura"."

O artigo "A máscara privada do monstro público" pode ser lido na íntegra aqui no JN.

03/01/2008

Sobre a mensagem de fim-de-ano do Presidente da República

A mensagem de fim-de-ano do Presidente da República foi tão boa que até o Ministro da Saúde concordou integralmente (em entrevista à SIC) com tudo o que o presidente expôs em relação ao seu pelouro, inclusivé admitiu que talvez tivesse faltado mesmo energia e empenho para uma explicação suficientemente cabal aos portugueses da política da saúde que tem sido seguida, nomeadamente no que diz respeito ao fecho de urgências no interior do país. O que é preciso é que o Sr. Ministro da Saúde faça uma espécie de ronda pelo interior do país, pelos municípios onde serão introduzidos maiores alterações e aí discurse, apresente as suas ideias e as defenda, se possível até com alguns debates ordeiros e civilizados. São catorze os municípios, não é uma ronda assim tão terrível de levar a cabo. Daria inclusivé uma boa operação de marketing, poder-se-ia chamar a Ronda da Saúde pelo Interior ou RSI (que é quase CSI como a série da TV). Pena que o Sr. Ministro ou o Governo não passem os olhos neste blog que tão boas ideias tem para lhes oferecer...em todo o caso está aqui escrita a sugestão. :)

31/12/2007

Mensagem de fim-de-ano e ínicio de 2008


Que todos possam combater o pessimismo com empenho, a desmotivação com persistência, as dificuldades com audácia, o desânimo com amor e, sempre, sem permitir que os "velhos do restelo" consigam demolir a vontade de percorrer até ao fim o caminho que leva às grandes Descobertas!

29/12/2007

Sobre Pacheco Pereira e António Barreto no Expresso: Se estão desmotivados pelo menos não tentem contagiar o país inteiro com essa doença!

Custa-me a crer que com um role enorme de crítica negativa e destrutiva sobre o futuro do país se lhe preste algum serviço minimamente útil. O que fazem Pacheco Pereira e António Barreto na análise para que foram convidados pelo Expresso é desmotivar os portugueses em relação ao seu futuro. Duas personalidades que de uma forma geral admiro, que dispõem de tão grande espaço público, ao entrarem nesse jogo meramente destrutivo para o próprio país parece-me que se limitam a mostrar descrédito total nos portugueses e, com isso, incitam Portugal ao pior dos seus males congénitos, a inactividade, a desmotivação e o pessimismo, mal esse, de que felizmente nem todos padecem e por isso há casos de orgulho no país.

Custa-me partilhar do ponto de vista de que criticando tudo e todos, sem apontar bons exemplos, boas soluções ou caminhos a seguir, dizendo aos portugueses que o melhor seria hibernar durante todo o próximo ano (e até mesmo os próximos dez) porque não há nada a fazer, todo o país será uma imensa núvem cinzenta, que nos afastaremos irremediavelmente do resto dos países da UE, que ficaremos todos mais pobres, etc, etc, etc...custa-me a crer que com isso se faça alguma coisa pelo país... Parece-me que não, apenas se contribui para que ele afunde.

22/12/2007

As atracções de 2008 (2)

- Os melhores investimentos deverão estar nas matérias-primas, os países emergentes vão fartar-se de querer comprar.
  • - O Brasil crescerá ao nível médio previsto para a América Latina: 4,5%. Os olhos vão estar no desenrolar do julgamento do mensalão, testando fortemente as mais altas estruturas jurídicas brasileiras.

  • - Os Chineses transitarão do Ano do Porco para o Ano do Rato em Fevereiro de 2008 que durará até 2020.

12/12/2007

África e o Espírito de Lisboa


Aqui, a minha última crónica no Primeiro de Janeiro.

09/12/2007

Cimeira UE - Africa / Espírito de Lisboa

Bastante frutífera e importante, esta Cimeira obriga a Europa a ter um papel mais interventivo dentro do seu domínio de acção e da sua responsabilidade, a colocar de lado a atitude de cínica passividade dos ganaciosos, perante corrupção, despotismo, ignorância dos Direitos Humanos ou desmedida ganância. A UE trouxe para a agenda desta Cimeira os Direitos Humanos mas, para o fazer com propriedade, terá de repensar e assumir erros e responsabilidades no recente passado pós-colonialista e obrigar-se a ter um maior controlo sobre os negócios feitos com certos regimes africanos. Não pode querer falar-se de Direitos Humanos e depois negociar-se verbas chorudas com os mais infames regimes.

Grande vitória de Portugal em ser o país organizador, o que demonstra aquilo de que venho falando há algum tempo, que Portugal tem vocação mundial pela sua história e pela obra e reputação deixadas pelos quatro cantos do mundo. Portugal tem que ter horizontes mais vastos do que apenas a Europa sem deixar de ser parte orgulhosa da construção europeia.
© Gonçalo Coelho