02/10/2008

Literatura Americana vs Literatura Europeia segundo a Fundação Nobel

Tenho tendência a achar muito disparatadas quaisquer comparações deste modo tão generalista, americanos versus europeus, ou chineses versus russos, etc. Mas, seja como fôr, essas comparações vão sempre existir, tendo por base uma mera comparação de estereótipos que pouco serve o assunto em causa. O resultado disso é que, sem nada fazer, é-se imediatamente rotulado à priori, por ser desta ou daquela nacionalidade, o que muitas vezes resulta em discriminações e até desastres humanitários.

Desta vez é o membro principal do júri do Prémio Nobel, Horace Engdahl a fazê-lo. Diz o senhor que não é coincidência nenhuma que a maioria dos prémio nobéis fiquem para escritores europeus já que a literatura americana ainda está muito longe do nível da literatura europeia (pois o facto de ser uma Academia Europeia também me parece que pode pesar e muito na dispersão geográfica dos prémios).

O estereótipo que se pretende aqui alimentar é que os americanos são ignorantes e os europeus é que são os verdadeiros intelectuais deste mundo. Diga-se de passagem que esse estereótipo já vingou entre grande parte dos europeus. Favorece aquele sentimento de que podemos não ser os mais ricos ou os mais avançados mas somos ainda os mais intelectuais, os mais iluminados. Isso conforta uma certa franja de europeus elitistas e garante-lhes o seu espaço, de onde podem assim ditar quem é que é bom ou mau escritor, um poder que lhes agrada.

Aqui ficam os comentários do Sr. Engdahl (retirados deste artigo da Associated Press):

Speaking generally about American literature, however, he said U.S. writers are "too sensitive to trends in their own mass culture," dragging down the quality of their work.

"The U.S. is too isolated, too insular. They don't translate enough and don't really participate in the big dialogue of literature," Engdahl said. "That ignorance is restraining."

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© Gonçalo Coelho